Loading
CONFERÊNCIAS
Ciclo de Conferências
Mário Moura
destaque
Boletim Informativo
SÁB 21 DE JANEIRO
SEX 24 DE FEVEREIRO
SEX 23 DE MARÇO
SÁB 21 DE ABRIL
Pequeno Auditório
18h30 · Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso
1 hora antes da sessão, no limite dos lugares disponíveis.
Máximo: 2 senhas por pessoa.
A senha permite a entrada gratuita nas exposições no próprio dia, entre as 17h30 e as 18h30.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
Tripadvisor
Mais opiniões sobre Culturgest.

A ideia de partida para cada uma das seis conferências de Mário Moura que, iniciadas em 2011, decorrerão até abril deste ano, a um ritmo mensal, é escolher um objeto, um livro, que permita, por sua vez, apontar para outros objetos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. As escolhas, longe de obedecerem a determinada ordem, cronológica ou temática, assentam num critério difuso: cada livro, na sua forma física, na maneira como decide ocupar as suas páginas, no modo como hierarquiza os seus conteúdos, ou como as suas imagens se relacionam com o seu texto, implica não apenas uma autoria, mas também uma forma de edição e uma forma de se relacionar com a realidade, com a sociedade, com a política ou com a história.

 

Mário Moura é crítico de design. Escreve regularmente para jornais, revistas e antologias. Mantém o blogue ressabiator.wordpress.com desde 2004. Publicou o livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro em 2009. Leciona cadeiras de tipografia, história do design e autoria no design nas Faculdades de Belas-Artes das Universidades do Porto e de Lisboa.

 

 

Sáb 21 de janeiro
Contemporânea, Grande Revista Mensal

O ponto de partida desta conversa será a revista Contemporânea, editada por José Pacheco entre 1922 e 1926, com as colaborações, nomeadamente, de Almada Negreiros e de Fernando Pessoa. Na época, foi tida como uma possível continuação da Orpheu, embora mais ambiciosa do ponto de vista gráfico, com ilustrações e fotografias organizadas em composições de página mais arriscadas, impressas sobre uma variedade de papéis diferentes.
Para um leitor atual, uma das curiosidades da Contemporânea é o seu modo de distribuição, que se fazia como um conjunto de folhas soltas, de páginas ainda por cortar, dentro de uma pasta que funcionava como capa provisória até o leitor as mandar encadernar, um processo partilhado por alguns dos livros portugueses graficamente mais interessantes, como Lisboa Cidade Triste e Alegre ou A Arquitetura Popular em Portugal, também eles distribuídos de modo semelhante, como fascículos colecionáveis cuja encadernação ficava a cargo do leitor.
Se atualmente vivemos numa economia em que a dívida desempenha um papel crucial, permitindo-nos comprar objetos que posteriormente pagamos em prestações, estas publicações são vestígios de uma época em que o endividamento era mal visto, pelo que uma das poucas maneiras de tornar acessíveis objetos caros consistia em parti-los aos pedaços, que eram vendidos em separado. Estas publicações permitem-nos assim refletir sobre as marcas que um determinado modelo de distribuição ou mesmo de moral económica deixa sobre uma publicação, sobre as suas opções editoriais e o seu aspeto gráfico, retirando lições que podem ser aplicadas à edição experimental contemporânea e aos seus modelos de produção e distribuição.

 

Sex 24 de fevereiro
Navio Vazio

O objeto que serve de tema a esta conversa não é, à primeira vista, um livro mas o Navio Vazio: um pequeno espaço de cerca de seis metros quadrados, na Rua da Alegria no Porto, outrora uma oficina de duplicação de chaves. Aqui exibem-se objetos e desenhos de vários autores nacionais e estrangeiros, dão-se conferências e lançam-se pequenas publicações de todos os tamanhos e feitios. Poder-se-ia dizer que se trata de uma galeria ou de uma livraria com objetivos talvez mais amplos do que os tradicionais, mas aquilo que torna o Navio Vazio o objeto desta conferência é o facto de não ser gerido curatorialmente, como um espaço de exposições, mas editorialmente, como se fosse um livro. Ou seja, é apresentado pelos seus criadores como sendo ele próprio um livro – e a ideia não é aqui criar uma analogia entre espaço e livro, mas usar o processo de edição como modo de organizar um espaço, opondo-o a outros modelos como a curadoria, a gestão ou o design de exposições.
Numa época em que a leitura se faz cada vez mais em suportes eletrónicos, e em que mesmo as publicações mais tradicionais acabam por ser encomendadas e consumidas através da Internet, a edição, a distribuição e a venda de livros tem assumido muitas vezes um caráter performativo, experimental, que investe conscientemente na proposta de uma leitura lenta, pausada, e na capacidade dos livros para criarem comunidades – estratégias que são visíveis tanto no Navio Vazio como em projetos como A Estante (uma livraria ambulante reduzida a uma estante que se vai juntando a eventos, conferências ou exposições) e Dexter Sinister (workshop e “livraria ocasional” em Nova Iorque).


Sex 23 de março
Boletim Informativo / Bulletins of the Serving Library

Se uma biblioteca é uma acumulação de livros mais ou menos organizada, mais ou menos pública, o seu boletim é uma publicação gerada por esta acumulação, somando-se a ela, dando conta do seu estado, mas também reorganizando-a subtilmente através da proposta de possíveis leituras, de interpretações e usos alternativos.
Nesta conferência, trataremos de publicações que são geradas por uma biblioteca como parte do seu funcionamento, tomando como ponto de partida os boletins de duas bibliotecas muito distintas entre si, tanto na sua identidade como no seu funcionamento. O primeiro é um Boletim Informativo da Biblioteca Calouste Gulbenkian da década de 1960; o segundo é a publicação Bulletins of the Serving Library, editada por Dexter Sinister em 2011. Entre estes dois extremos, o órgão de uma biblioteca clássica e o de uma que recupera experimentalmente a ideia de biblioteca, tentar-se-á perceber quais as estratégias gráficas através das quais se representa num livro a sua ligação a uma coleção ou inventário de livros.

 

Próxima conferência
Sáb 21 de Abril, Dot Dot Dot, Dexter Sinister

In each of the six monthly lectures that Mário Moura will give until April this year, the starting point will be the choice of an object, a book, which in turn can direct attention towards other objects, other books, but also towards exhibitions, philosophies, politics, etc. Far from adhering to any particular order, chronology or theme, the choices are based on a diffuse criterion: in its physical form, the way it decides to occupy its pages, the hierarchy it uses to order its contents, the way its images relate to its text, each book implies not only an authorship, but also a particular form of publication and a way of relating to reality, society, politics or history.
The lecture will be held in portuguese.

 

Mário Moura is a design critic. He writes regularly for newspapers, magazines and anthologies. He has had his own blog ressabiator.wordpress.com since 2004, and he is the author of Design em Tempos de Crise, published by Braço de Ferro in 2009. Mário Moura lectures in typography, history of design and authorship in design at the Fine Arts Faculties of Porto and Lisbon Universities.

Carbonozero
© 2011 Culturgest