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Conversa · Sábado 14 de Abril de 2007
18h00 · Sala 2 · Duração 2h00

Especialistas
da vida quotidiana
Conversa com Stefan Kaegi e Paulo Raposo


Classificação: M/12

Stefan Kaegi, de origem suíça-alemã, é um dos fundadores do colectivo alemão de encenadores Rimini Protokoll. Trabalhando sobre o real que mistura com a ficção, a originalidade do seu trabalho deve-se também ao facto de integrar nos seus espectáculos “especialistas da vida quotidiana”: octogenárias de um lar para falarem de Fórmula 1, adolescentes amadores de armas para se exprimirem sobre o prazer de disparar, especialistas médicos para falarem da experiência da morte. Ou ainda formigas que foram actrizes em Un terrarium e porteiros argentinos em Torero Portero.
Chácara Paraíso é o mais recente trabalho de Kaegi, realizado em São Paulo com a colaboração da argentina Lola Arias. Tratava-se de responder à pergunta “Existe uma forma de arte-polícia?”, recorrendo, dentro das inúmeras instituições policiais, a pinturas, ícones, calendários, vídeos, músicas, marchas, simulações, que são utilizadas para propaganda, treino ou desfile e que nos mostram como a polícia se vê – com um elenco de catorze intérpretes (polícias, ex-polícias, familiares) e dois cães.
Partindo de imagens deste espectáculo, Kaegi fará uma apresentação do seu trabalho, respondendo aos comentários, dúvidas e interrogações do antropólogo Paulo Raposo. Professor auxiliar do departamento de Antropologia do ISCTE, onde coordena também o Centro de Estudos de Antropologia Social e lecciona as temáticas de ritual e performance, Paulo Raposo doutorou-se com uma tese sobre cultura popular, processos identitários e performances culturais em Portugal. Lecciona ainda Antropologia e Teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema.
Para mais informações ver o site www.chacaraparaiso.org

Kaegi e o Rimini Protokoll “explicam coisas que o cidadão esclarecido deveria saber. Mas não o fazem num afã missionário. Entendem-se mais como um empreendimento de desentulhamento, pois livram a acção no palco do dedo em riste, mas também daquela auto-referência cansativa tão em moda no teatro actual. Em vez de levar a arte a novos públicos, eles trazem o público para dentro do teatro. Ou, dito de uma maneira ainda mais simples: eles tornam patente a teatralidade dos palcos públicos como num tribunal.”
stefanie müller-frank
Tagesspiegel, 2004

 

Stefan Kaegi is co-founder of Rimini Protokoll, a German group of theatre directors. They intertwine reality and fiction, using in their shows “daily life specialists”: eighty-year-old women to talk about Formula 1, gun-loving teenagers to explain their pleasure of shooting, physicians to discuss the experience of death, or even ants and Argentinian bouncers.
Kaegi will make a presentation of his work focusing on Chácara Paraíso, co-directed by Laura Arias in São Paulo. It’s “an exhibition of police-art”, with the paintings, icons, calendars, videos, tunes, simulators that are used for propaganda, training and parading and that show us the way the police see themselves. He will then engage in a conversation with anthropologist Paulo Raposo, who has been working in Cultural Performance and the connection between Theatre and Anthropology.

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