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Mesa redonda · segunda 8 de outubro de 2007
18h30 · Sala 2 · Duração 2h00

Pessoa, (re)criador
e inspirador de ficções
Com Teresa Rita Lopes, José Blanco e Rui Vieira Nery

fernando pessoa
Fernando Pessoa

Folha de Sala (pdf)

Classificação: M/12

Pessoa escreveu que queria ser “um criador de mitos”. Eu diria que foi sobretudo um recriador: não só dos heróis lusitanos, a que deu dimensão mítica e de que a Mensagem é o mais vasto repositório, mas também de mitos universais, como Fausto e Salomé, fonte de inspiração de tantos criadores em tão diversas linguagens.
Tomando um pouco de recuo para contemplar o universo pessoano, reparamos que ele foi, mais abrangentemente falando, um permanente criador de ficções. As personagens pelas quais se foi multiplicando, ao longo da vida, heterónimos ou simples “personalidades literárias”, compõem uma vasta ficção a que apetece chamar não apenas um “drama em gente” mas um romance-drama. Só as ficções resistem à “lei da morte”. Para desta se ir libertando, Pessoa até, às vezes, se pôs a contracenar com as suas ficções, tornando-se, para conseguir essa cumplicidade, ficção de si próprio.
As ficções pessoanas têm, por seu lado, inspirado largamente outras ficções, não só no campo da literatura mas também noutros diversos domínios como o cinema, o teatro, as artes plásticas, a música, até o bailado.
teresa rita lopes

Teresa Rita Lopes (TRL) tem-se consagrado, desde a juventude, a reconstituir e a fixar as ficções pessoanas conservadas na mítica “arca” (em folhas soltas, quase todas, baralhadas pelas mãos dos visitantes, editores e inventariadores) recriando, por vezes, encadeamentos dramáticos apenas implícitos: assim a ficção O Privilégio dos Caminhos de que Pedro Amaral partiu para a sua “Salomé”. TRL tem também forjado as suas próprias ficções – em poesia, teatro e narrativas várias.

José Blanco, licenciado em Direito, jubilou-se da Fundação Calouste Gulbenkian em 2004, após quarenta e três anos de serviço, trinta dos quais como membro do Conselho de Administração. É Honorary Fellow do King’s College de Londres e Doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vem realizando trabalhos de investigação e divulgação da obra do poeta Fernando Pessoa, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo iniciado em 1983 a sua carreira pessoana com a obra Fernando Pessoa: Esboço de uma Bibliografia, publicada pela Imprensa Nacional.

Rui Vieira Nery nasceu em Lisboa em 1957. É licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa (1980) e Doutorado em Musicologia pela Universidade do Texas em Austin (1990). É actualmente Professor Associado do Departamento de Artes da Universidade de Évora e Director-Adjunto do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo ocupado entre 1995 e 1997 o cargo de Secretário de Estado da Cultura do XIII Governo Constitucional.

Fernando Pessoa said he wanted to be a “creator of myths”, but maybe he was a re-creator of Portuguese heroes and universal myths like Faust and Salomé, which have inspired so many creators.
Stepping back somewhat from the world he created, in a wider sense he was clearly a constant creator of fictions. The characters he created throughout his life constitute a huge fiction which might be termed not just a “drama in people” but rather a drama-novel. Only fiction escapes death, but to free himself of its grip Pessoa sometimes played opposite his fictions, and in so doing created a fiction of himself.
He has also inspired other fiction in literature, film, theatre, the plastic arts, music and dance.

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