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Ópera · quinta 13, sexta 14 e sábado 15 de dezembro de 2007
21h30 · Grande Auditório· Duração 1h10

W
Uma ópera de José Júlio Lopes
PAISAGENS DO TEATRO CONTEMPORÂNEO


Folha de Sala (pdf)
Libretto (pdf)

Classificação: M/6

O interesse do tema decorre especialmente da obra de Walter Benjamin, o homem concreto que pensou o regime das imagens, da arte, da técnica, da literatura; o cinema; o das grandes cenografias públicas (as arcadas, as cidades); a ilusão (nomeadamente com as suas experiências com drogas), a modernidade, o estético e o político...
Walter Benjamin morreu na fronteira franco-espanhola, em Port Bou, depois de se juntar a um grupo de refugiados que tentam escapar à perseguição nazi. As circunstâncias e a data da sua morte não são claras. Terá acontecido quando Benjamin chega a Port Bou e é (ou supôs ter sido) ameaçado, pelos funcionários da fronteira espanhola, de ser reenviado para França onde seria entregue à Gestapo. Convencido que tinha falhado a sua tentativa de atingir Lisboa para chegar aos EUA (juntando-se a outros refugiados alemães famosos, como Adorno, Horkheimer, Schoenberg, Brecht, Thomas Mann, Kurt Weill), Benjamin, nessa noite, no Hotel De Francia, ter-se-á suicidado tomando vários comprimidos de morfina e terá falecido a 27 (ou 28) de Setembro de 1940.
O fio narrativo convocado para este projecto centra-se no essencial deste episódio: um homem (qualquer homem) foge para a liberdade, mas morre (suicida-se?) antes de o conseguir, literalmente a poucos quilómetros de ser livre, numa espécie de desistência existencial perante a possibilidade de ser entregue aos seus perseguidores:
Quase em Lisboa. Quase refugiado nos EUA. Quase livre. Uma decepção trágica da história concentrada num homem.
Seguimos o homem que protagonizou uma tal morte e que é transformado em W, personagem cujo destino o público conhece previamente. Destino que é acentuado na tragédia de um «quase», pela possibilidade não cumprida. Ora, este «quase» é, também, na leitura proposta por esta ópera, um traço biográfico da personagem real e do seu pensamento fragmentado.
Ciente da incompletude, o homem que pensou as «passagens» ficou do lado de fora da «porta», no seu «limiar», fazendo cair sobre a sua própria existência a coragem de uma hesitação.
Morreu. Abstendo o pensamento de mais pensar. Aceitando um caminho com um sentido único.
josé júlio lopes

 

Música e Libreto José Júlio Lopes
Dramaturgia Paula Gomes Ribeiro
Apoio dramatúrgico Filomena Molder
Electrónica Carlos Caires
Vídeo Rosa Coutinho Cabral, José Júlio Lopes e Carlos Caires
Figurinos Rita Lopes Alves
Desenho de luzes Horácio Fernandes



OrchestrUtopica
Direcção musical Tapio Tuomela
Soprano Teresa Gardner
Tenor Rui Taveira
Barítono Jorge Martins
Participação especial Marta BB e João Cabral
W é uma produção Coisa-Em-Si / Culturgest

“Paisagens do Teatro Contemporâneo” é uma co-produção Teatro Nacional de São Carlos e Culturgest

 

Acontecimentos associados
Entrada gratuita. Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes de cada sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.

Next Opera Next
Colóquio internacional sobre o futuro da criação de ópera
14 Dezembro · Pequeno Auditório · 15h-20h
Debates e especulações sobre o futuro da ópera por um painel europeu de encenadores de ópera, compositores, realizadores de cinema, vídeo-artistas, investigadores.
Programa a anunciar.
Comissária Paula Gomes Ribeiro
Organização Coisa-Em-Si / CESEM (UNL)
Folha de sala (pdf)

Re-exibição do filme Quem matou Walter Benjamin
documentário de David Muaus 73’ · versão espanhola · legendas em inglês
15 Dezembro · Pequeno Auditório · 18h00
Este filme foi projectado a 24 de Fevereiro deste ano, na Culturgest, no quadro de um encontro de dois dias sobre a obra de Walter Benjamim. Mas muitas das pessoas que queriam ver o filme ficaram de fora, por a sessão ter esgotado. Por isso se projecta novamente, agora com ligação evidente à ópera W.

 

An opera about a man escaping to freedom. Walter Benjamin died on the French-Spanish border after joining a group of refugees fleeing from the Nazis. How and when he died are not entirely clear. The border guards threatened to send him back to France and hand him over to the Gestapo. Convinced that he would never reach Lisbon and the US, he seems to have committed suicide at the Hotel de Francia after taking morphine pills, and died on 27 or 28 September 1940.
Through his death he becomes “W”, whose tragedy is heightened by the fact that he was so close to his goal. A sense of “almost” is at the heart of this opera, which looks at the real man and his fragmented thoughts.

aw
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