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Cinema · De quinta 8 a domingo 11 de maio de 2008
Pequeno Auditório

Autobiografias /
Autoficções
Comissário: Augusto Seabra


My way home de Bill Douglas

Folha de Sala (pdf)

Classificação: M/12

De diversos modos, um cinema enunciado na primeira pessoa vai-se tornando cada vez mais frequente, tal como o registo em material fílmico ou videográfico dos passos de uma vida, quantas vezes, e com quanto maior frequência, desde o próprio acto de nascimento.
É inegável já o vasto material de diários e auto-retratos filmados, objecto aliás da secção retrospectiva do doclisboa do ano passado. Falar em “autobiografia cinematográfica” em sentido estrito coloca contudo outros problemas. É, dir-se-á, uma questão de linguagem e de referente. Ou, para citar o grande teórico actual da autobiografia, Philippe Lejeune: “O problema principal parece-me ser o do valor de verdade. O cinema autobiográfico parece destinado à ficção. Não posso pedir ao cinema que mostre o que foi o meu passado, a minha infância ou a minha juventude não posso senão evocá-las ou reconstituí-las. Esse problema não existe na escrita, porque o significante (a linguagem) não tem qualquer relação com o referente”.
Todavia, também desde a nouvelle vague, desde Truffaut e o seu alter-ego Antoine Doinel, a experiência autobiográfica, ou as “autoficções”, para retomar o termo do escritor Serge Doubrovsky, foram recorrentes à singularidade de cineastas como Eustache, Garrel e mesmo Pialat.
Face ficcional da retrospectiva de “Diários filmados e Auto-Retratos”, este ciclo apresenta quatro realizadores que de modo persistente e recorrente, filme após filme, foram evocando e reconstruindo as memórias da sua vivência pessoal, a belga Chantal Akerman, os britânicos Bill Douglas e Terence Davies e a húngara Márta Mészáros.

 

QUINTA 8 Chantal Akerman
21h30 Portrait d’une Jeune fille à la fin des années soixante à Bruxelles, 1994

SEXTA 9 Trilogia de Bill Douglas
18h30 My Childhood, 1972; My Ain Folk, 1973
21h30 My way home, 1978

SÁBADO 10 Filmes de Terence Davies
15h00 A trilogia – Children / Madonna and child / Death and transfiguration, 1984
18h00 Distant Voices / Still Live, 1988
21h30 The Long Day Closes, 1992

DOMINGO 11 Os Diários de Márta Mészáros
15h00 Diário para os meus filhos, 1982
18h00 Diário para os meus amores, 1987
21h30 Diário para o meu pai e a minha mãe, 1990

 

Film-making in the first person is becoming increasingly frequent. Today, even our moment of birth is being filmed. The vast world of self-portraits and diaries was even one of the themes of doclisboa last year. But it raises a question about the value of truth. Autobiographical films seem destined for fiction. Even Truffaut used the technique of what Serge Doubrovsky called “autofiction”, after the advent of the nouvelle vague.
As a fictional counterpoint to the Diários filmados e Auto-Retratos retrospective, this series presents four directors who have constantly evoked and reconstructed the memories of their own lives: Belgium Chantal Akerman, Britain’s Bill Douglas and Terence Davies, and Hungarian Márta Mészáros.

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