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Cinema · Terça 12 a Domingo 17 de Maio de 2009
Pequeno Auditório

Eros + Revolta
O novo cinema japonês
dos anos 60

Comissário: Augusto M. Seabra


O Vagabundo de Tóquio (Tokyo nagaremono), Seijun Suzuki

Folha de Sala (pdf)

Classificação: M/16

Em 1960, ao mesmo tempo que se discutia com enormes manifestações de rua a renovação do tratado de defesa nipo-americano, um tsunami ocorreu no cinema: chamaram-lhe então Shochiku Nabero Bagu, compósito singular porque a Shochiku era (e é) uma das grandes empresas cinematográficas japonesas e Nabero Bagu é a transcrição fonética da pronúncia japonesa de Nouvelle Vague. Nagisa Oshima sobretudo, Masahiro Shinoda e Yoshihige Yoshida foram os autores emergentes dessa “nova vaga”, enquanto Shohei Imamura se inicia na realização noutro estúdio, a Nikkatsu.
Ao contrário dos seus contemporâneos nos diversos novos cinemas dos anos 60, os japoneses, pelo menos aqueles de maior relevo, ainda passaram, num ápice, pelo tirocínio de assistentes de realização. Mas foi o próprio ocaso do sistema de estúdios em que se fundara o cinema clássico japonês, de Mizoguchi, Ozu ou Naruse, ou a geração humanista do pós-guerra, a de um Kurosawa, que fez com que tão precocemente, pelas normas desse sistema, se estreassem esses realizadores – para os estúdios urgia fazer filmes para um público jovem. Quase de imediato se dá a ruptura, apenas Seijun Suzuki (cineasta um pouco mais velho) permanecendo ainda alguns anos no seio do sistema, nas bordas do pinku eiga, o cinema erótico, e a fundo no Nikkatsu Action, de um modo todavia profundamente original.
O questionamento da sociedade japonesa, as pesquisas formais e a quebra de tabus figurativos de ordem erótica tornaram as sequelas da Nabero Bagu num dos pólos mais radicais dos novos cinemas dos anos 60.
Neste ciclo apresentam-se filmes de todos os autores maiores, em termos de ficção, com destaque justificado para Oshima mas também para o génio iconoclasta de Suzuki (autor que Quentin Tarantino amplamente “citou” em Kill Bill) realizador assim finalmente apresentado em Portugal.

 

Filmes legendados em inglês, excepto O Enforcamento que será legendado em português.

 

Terça-feira 12

18h30
O Enterro do Sol (Taiyo no hakaba)
de Nagisa Oshima, 1960, 16mm, 1h27
21h30
Noite de Nevoeiro no Japão (Nihon no yonu tokiri)
de Nagisa Oshima, 1960, 16mm, 1h47


Quarta-feira 13

18h30
Sobre as Canções Brejeiras Japonesas (Nihon shunka ko)
de Nagisa Oshima, 1967, 16mm, 1h43
21h30
As Termas de Akitsu (Akitsu Onsen)
de Yoshishige Yoshida, 1962, 35mm, 1h52

 

Quinta-feira 14

18h30
A Mulher-Insecto (Nippon konchuki)
de Shohei Imamura, 1963, 35mm, 2h03
21h30
Intenção de Matar/Desejo Profano (Akai Satsui)
de Shohei Imamura, 1964, 35mm, 2h30

 

Sexta-feira 15

18h30
Go, Go, Second Time Virgin (Yuke yuke nidome no shojo)
de Kôji Wakamatsu, 1969, 1h05
21h30
O Funeral das Rosas (Bara no Soretsu)
de Toshio Matsumoto, 1969, 16mm, 1h45

 

Sábado 16

15h30
A Porta da Carne (Nikutai no mon)
de Seijun Suzuki, 1964, 35mm, 1h30
18h30
Elegia da Luta (Kenka erejii)
de Seijun Suzuki, 1966, 35mm, 1h26
21h30
O Vagabundo de Tóquio (Tokyo nagaremono)
de Seijun Suzuki, 1966, 16mm, 1h23

 

Domingo 17

15h30
Duplo Suicídio em Amijima (Shinju ten no Amijima)
de Masahiro Shinoda, 1969, 16mm, 1h45
18h30
O Enforcamento (Koshikei)
de Nagisa Oshima, 1968, 35mm, 1h57
21h30
Eros mais Massacre (Erosu Purasu Gyakusatu)
de Yoshishige Yoshida, 1969, 35mm, 2h47

 

Um especial agradecimento à Japan Foundation

 

A tsunami called Shochiku Nabero Bagu hit Japanese cinema in the 1960s (Shochiku is one of Japan’s top film studios and Nabero Bagu is a phonetic rendering of Nouvelle Vague). At its head were Masahiro Shinoda, Yoshihige Yoshida and especially Nagisa Oshima.
As Japan’s studio system, which spawned Mizoguchi, Ozu, Naruse and the post-war humanist generation of Kurosawa declined, these new directors emerged. Japanese society was asking questions and breaking erotic taboos, and Nabero Bagu became a radical focal point of ‘60s cinema. This series includes films by all of its major directors, with the emphasis on Oshima, but also the iconoclastic Seijun Suzuki.

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