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Teatro/Dança · Quinta 7 e Sexta 8 de Maio de 2009
21h30 · Grande Auditório· Duração 1h10

La Danseuse Malade
De Boris Charmatz. Com Jeanne Balibar e Boris Charmatz.


© Fred Kihn
Folha de Sala (pdf)

Classificação: M/12

ESPECTÁCULO FALADO EM FRANCÊS, COM LEGENDAS EM PORTUGUÊS.

Não sei se gosto do Hijikata. Acredito na vontade de transmitir os seus escritos, que eles próprios transmitem a sua dança. A sua dança, o seu butô, as suas inquietações, são legíveis nos terrenos movediços, nos sentimentos de derrota, “esta cabeça de bebé no fundo da minha miséria”, que ele derrama sobre o papel. O que nos poupa talvez radicalmente a necessidade de fazer, refazer, a sua dança. “Embora satisfeitos de termos cabeça e quatro membros, digamos mesmo assim que gostaríamos de ser impotentes, que bem gostaríamos de uma vez por todas de ter nascido impotentes; porque só quando nos vem este desejo é que se realiza enfim o primeiro passo de dança”.
Não que seja motivo de vergonha tentar refazer o butô (há-de haver de certeza um butô ainda por inventar : o rebutô?! – repulsivo (rebutant) deveria ser o novo butô…). Mas a minha ideia é não fazer butô a partir destes textos alucinantes, porque eles têm já o butô em si próprios. A miséria, a lama, a deformidade, as tripas, está lá tudo… O trabalho acontecerá por baixo e ao lado. Exumaremos o pensamento de um artista imenso de forma que nos deixe totalmente entregues às nossas próprias extravagâncias.
Que a força dos seus escritos, que devem ser como que dados a ler, nos deixe livres mesmo no gesto de os transmitir. Não nos inspiremos em Hijikata, não fabriquemos um espectáculo que decorra dos seus escritos, não façamos verdadeiramente “uma encenação”.
Brandimos uma bandeirola de braço estendido, mas mesmo assim eles são capazes de nos pingar em cima, de derramar as suas imundícies. Talvez seja por isso que eu não sei se sou capaz de gostar de Hijikata: ele parece sujo, morto, impotente, virgem e obsceno.
Boris Charmatz

O corpo é a minha oficina e o meu ofício, conhecido como dança, é um empreendimento de restauro do humano.
Tatsumi Hijikata

 

Interpretação Jeanne Balibar, Boris Charmatz
Coreografia Boris Charmatz
Textos Tatsumi Hijikata
Tradução Patrick De Vos
Luzes Yves Godin
Som Olivier Renouf
Performance com capacete concebida e transmitida por Gwendoline Robin
Cenografia Alexandre Diaz / Dominique Bernard
Direcção técnica Frédéric Vannieuwenhuyse
Operação de luz Eric Houllier
Operação de Som Jacques Marcuse
Construcção do cenário Artefact
com a colaboração de Françoise Meslé para Jacana Wildlife Studio
Produção e administração Sandra Neuveut
com assistência de Cécile Tonizzo
Produção Association Edna; Musée de la danse / CCNRB
Co–produção Le Théâtre de la Ville Paris / Festival d’automne à Paris;
co-produção conjunta de CNDC Centre National de Danse Contemporaine Angers e Nouveau Théâtre d’Angers; Centre Dramatique National des Pays de la Loire, no contexto do seu programa de residências de dança e teatro; La Ménagerie de Verre-Paris; deSingel – Antuérpia.
Apoios ADC Genève-Suiça, Dampfzentrale Bern-Suiça, Gessnerallee Zurich-Suiça, Tanzquartier Wien-Áustria et Cultures France.
Musée de la Danse / Centre Chorégraphique National de Rennes et de Bretagne – Direcção: Boris Charmatz.
Associação subsidiada por Ministère de la Culture et de la Communication (Direction Régionale des Affaires Culturelles / Bretagne), Ville de Rennes, Conseil régional de Bretagne e Conseil général d’Ille-et-Vilaine.
Cultures France apoia regularmente as digressões do Musée de la Danse.
Com a gentil autorização do Buto Sôzô Shigen, Tokyo Estreia 24 de Setembro de 2008, CNDC d’Angers

 

I am not sure if I like Hijikata. I believe in the wish to transmit his writings, his dance, his butoh, concerns and sense of defeat: ‘this baby’s head at the bottom of my misery’. There is no shame in trying to recreate butoh. My aim is to remake it, but not using the original writings – misery, mud, deformity, guts: it’s all there. We will exhume the thought of a huge artist but delve into our own extravagances. The strength of his writing leaves us free in how we transmit it. We are not creating a ‘production’. We are waving a flag, arm outstretched, but his writings are liable to drip onto us, coating us in filth. Maybe that is why I cannot like Hijikata – he seems dirty, dead, impotent, virgin and obscene.
Boris Charmatz

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