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Da lei da morte libertando…
por Paulo Mendes Pinto
destaque
Figuras do Mundo da Morte, num túmulo do séc. II d.C., actualmente no Museu de Damasco © Paulo Mendes Pinto
CONFERÊNCIAS
QUARTAS-FEIRAS
5, 12, 19, 26 DE JANEIRO
Pequeno Auditório
18h30 · Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
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Possivelmente, há já alguns milhares de anos que somos o que hoje temos à nossa frente. Fisicamente, esta forma com que nos gostamos de designar enquanto duplamente sábios, sapiens sapiens, terá uns 200.000 anos. Há uns 40.000 anos que enterramos os mortos com flores. Nos últimos 5.000 anos fomo-nos “da lei da morte libertando”, desenvolvendo um conjunto de mitologias e de raciocínios que nos levou à imortalidade e a todo um grupo de crenças que hoje nos estruturam o pensamento.
Com a passagem ao Neolítico, ganhámos a nostalgia dos tempos anteriores que apelidámos de paradisíacos. O trabalho do cereal possibilitou um crescimento populacional, mas implicou uma “domesticação” que não foi apenas dos animais à nossa volta, também foi de nós próprios.
A partir desse momento, sempre buscámos o inalcançável. Seja nas mitologias da Suméria onde a Condição Humana nos surge quase ao nível do desumano, seja na Babilónia onde se começa a esquiçar uma ecologia em que tudo está interligado e dependente de uma imensamente marcante Criação.
Os mitos multiplicaram-se. As narrativas complexificam-se e os cleros consolidam-se. Inanna, Marduk, Baal, Melkart, Adonai e Javé são alguns dos momentos marcantes na construção das ideias centrais no mundo das religiões do Mediterrâneo. Mais que cultos, nestas realidades temos a construção dos próprios conceitos de divino, de deus, de salvação.
Neste percurso, que nos levará da Pré-História aos séculos em que emerge a nossa Era, os grandes deuses são depurações de ideias que resultam de milhares de anos a contemplar as estrelas à noite. Ao chegar próximo do nascimento dos monoteísmos, um deus já é um legado cultural muito além do que nos permite a leitura imediata das suas narrativas.
Nesse momento, uma divindade já não é ela mesma, é afinação de necessidades, de receios e de medos, mas também de desejos e de sonhos.
Paulo Mendes Pinto

 

Paulo Mendes Pinto é Director da Licenciatura e do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona. Trabalha em torno da mitologia do Mediterrâneo Antigo, especialmente Suméria, Babilónia e Canaã. Actualmente, dirige o projecto Inquérito à Cultura Religiosa em Portugal, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

 

 

5 de Janeiro
A nostalgia do paraíso:
o imaginário de um tempo sem trabalho e sem sofrimento

 

12 de Janeiro
Cleros, hierarquias e reis:
o caminho para a sociedade do Bronze

 

19 de Janeiro
Nacionalismos, ecologia e salvação:
o nascimento do indivíduo na Idade do Ferro

 

26 de Janeiro
Baal e El, ou Adonai, Eloim e Adonis:
a junção eficaz das definições do divino

We developed a whole range of beliefs that structure our way of thinking. The Neolithic brought nostalgia. Farming brought population growth, domesticated animals, and our own domestication. Myths multiplied, and ideas of divinity, god and salvation were developed. In the period from pre-history to the early days of our own era the gods were refinements of ideas arising from millennia of star-gazing. In turn, monotheism is a refinement of needs and fears, but also desires and dreams.
Paulo Mendes Pinto is director of Lusófona University’s religious sciences degree and masters courses.
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