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Luís Lopes
e Jean-Luc Guionnet
Ciclo “Isto é Jazz?” Comissário: Pedro Costa
destaque
JAZZ
DOM 13 DE MARÇO
Pequeno Auditório
21h30 · Duração: 1h00
M12 · 5 Euros (preço único)
O saxofonista Mats Gustafsson, inicialmente previsto e anunciado como membro deste duo, cancelou a sua participação por motivos alheios à Culturgest e ao comissário do ciclo. Foi substituído pelo saxofonista
Jean-Luc Guionnet.
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Folha de sala (pdf)
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
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Guitarra Luís Lopes Saxofone altoJean-Luc Guionnet

A improvisação é uma música de encontros, e quanto mais improváveis estes são, mais desafiante se torna para os participantes e para o público um evento em que a improvisação, precisamente, é não só a técnica adoptada como a estética condutora. Dados os respectivos percursos, e até as diferentes gerações a que pertencem, Luís Lopes e Jean-Luc Guionnet pouco têm de comum. E o mais certo, para mais tendo em conta as suas respectivas, e fortes, personalidades musicais, é de esperar que não procurem compromissos nem consensos, até que toquem sempre em desacordo. Tanto melhor. O músico português vem aplicando a mesma máxima que norteia o veterano Joe Giardullo, seu parceiro no projecto Afterfall: “Para mim, o ‘consenso’ é apenas uma forma de mascarar o que é real e urgente. É o ‘mínimo denominador comum’ das ideias, uma forma muito subtil de colocar estas de lado em nome da concordância. Não precisamos de concordar. Cada um de nós pode funcionar independentemente e ainda assim haver unidade. É isso o que procuro na música – que todos os intervenientes proponham em simultâneo as suas ideias independentes, não temperadas por um contrato prévio e não subjugadas por outras ideias que não as suas.”

 

Lopes vem dos blues e do rock, e marcas dessas músicas fazem-se sentir, sem complexos nem imposições “não-idiomáticas”, nas improvisações que desenvolve, sejam estas livres, como nos referidos Afterfall, ou emolduradas em composições conotáveis com o jazz, como no seu Humanization Quartet. Com formação em artes plásticas, Guionnet faz de um handicap, o não saber ler música, uma vantagem: compõe-na quando a executa. E fá-lo com uma inventividade notável, seja nos terrenos da música experimental, com o grupo Hubbub e os duos com Seijiro Murayama e Eric Cordier, ou mimetizando e distorcendo o free jazz original, com os The Fish. Teremos assim, de um lado, um guitarrista que ora nos dá a ouvir um tom limpo e cru, com tanto de uma espantosa simplicidade como de belo, ora explora as parasitagens da electricidade, controlando e descontrolando feedbacks, distorções, sinusoidais, glitches analógicos e outras impurezas sónicas, e do outro um saxofonista francês que ora torna um fraseado modal numa arma de arremesso, alinhando-se com o legado expressionista de Albert Ayler, ora elabora intrincados rendilhados texturais que dispensam o ritmo, a harmonia e a melodia mas, ainda assim, se mantêm incrivelmente musicais.

 

É impossível prever o que resultará, musicalmente, desta inesperada colaboração, mas com certeza que será surpreendente, agitada e única, ou não fossem estes músicos quem são. Se haverá jazz ou nem por isso, só dependerá do rumo que as tais ideias “não temperadas” e “não subjugadas” tomarem. Nada está determinado e nada está proibido – no que a planificações e regras respeita, pelo menos, estes dois europeus estão de acordo. Fora com os espartilhos...

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