Loading
arquivo > 2015 > 2014 > 2013 > 2012 > 2011 > 2010 > 2009 > 2008 > 2007
LEITURAS
Comunidade de Leitores
A Viagem são os Viajantes por Helena Vasconcelos
destaque
© seraficus
QUINTAS-FEIRAS
20 DE SETEMBRO,
4 DE OUTUBRO,
8 E 22 DE NOVEMBRO,
6 E 20 DE DEZEMBRO
Sala 1 · 18h30
Inscrições até 13 de setembro
(limite 40 pessoas) na bilheteira da Culturgest, pelo tel. 21 790 51 55 ou pelo e-mail culturgest.bilheteira@cgd.pt
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
Tripadvisor
Mais opiniões sobre Culturgest.
As viagens são os viajantes,
Bernardo Soares

Viajar e “fazer turismo” são atividades diferentes, embora partilhem o mesmo impulso físico, as mesmas alegrias e, por vezes, as mesmas agruras e privações. Mas se é verdade que as primeiras viagens se fizeram por necessidade absoluta – os nossos longínquos antepassados seguiam o rastro dos alimentos, fugiam de condições atmosféricas adversas, procuravam abrigo e comida onde lhes era mais propício – o turismo nasceu com a Revolução Industrial e com a “invenção” do conceito de lazer, algo inconcebível antes do século XIX. No entanto, o anseio de viajar tem raízes mais complexas e serve de metáfora da própria existência: à roda do quarto (como de Maistre) ou em paragens longínquas, por razões económicas (descoberta de novos lugares e de novas abastanças), políticas (espionagem, diplomacia), militares (conquistas, ocupação de território), religiosas (peregrinações, cruzadas), ou culturais (a partir do século XVIII, o “Grand Tour” tornou-se uma obrigação para o ritual da aprendizagem), o ato de partir, de procurar, de encontrar (ou não) é ânsia para muitos e maldição para alguns. Nesta Comunidade percorreremos os espaços de iniciação com Woolf e acompanharemos viagens de doloroso (re)conhecimento na obra de Dulce Maria Cardoso e na de Conrad – em direções opostas.
Theroux é de opinião que os turistas nunca sabem onde estiveram e os viajantes nunca sabem para onde vão, como bem demonstra na sua epopeia pela Índia e Chatwin, o grande vagabundo, cria, em Utz, um estranho não-viajante. Com Garrett e a viagem “novelística” fecha-se este ciclo de leituras, durante o qual tentaremos detetar as causas – curiosidade, inquietação, desejo, fuga, aprendizagem, emoção, antídoto contra o medo – e os efeitos das deambulações dos grandes e eternos inquietos. Mark Twain afirmou: “não existe nada mais prejudicial para o preconceito, para o fanatismo e para a intolerância do que as viagens”. Não podia ter mais razão. Viajemos, então, pelas palavras.

 

 

20 de setembro
O Retorno, Dulce Maria Cardoso, Ed. Tinta-da-China

 

4 de outubro
A Viagem, Virgínia Woolf, Ed. Presença

 

8 de novembro
Coração das Trevas, Joseph Conrad, Ed. Relógio D’Água
[ler também a Ode Marítima de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)]

 

22 de novembro
Utz, Bruce Chatwin, Ed. Quetzal

 

6 de dezembro
O Grande Bazar Ferroviário, Paul Theroux, Ed. Quetzal

 

20 de dezembro
Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett (qualquer edição)

Travelling and tourism are different activities, despite sharing the same joys and disappointments. While people first travelled out of necessity, tourism is based on the idea of “leisure”. The wish to travel can, however, be a metaphor for life itself. In this Community of Readers, we take our first steps with Woolf and move on to Dulce Maria Cardoso, Conrad, Theroux, Chatwin and Garrett, seeking to find why they travelled. Mark Twain said: “Travel is fatal to prejudice, bigotry, and narrow-mindedness”. How right he was! So, let us travel through words.
Carbonozero
© 2012 Culturgest