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TEATRO
Sala VIP
Letras de Jorge Silva Melo. Orquestração de Pedro Gil.
destaque
© Jorge Gonçalves (pormenor)
DE SÁB 6 A TER 9 DE JULHO
Palco do Grande Auditório
21h30 (dom às 17h) · Dur. 1h30
12€ · Até aos 30 anos: 5€
M16
Aos pais que queiram assistir à sessão de domingo às 17h: vai decorrer em simultâneo uma oficina gratuita para crianças dos 5 aos 10 anos a partir do espetáculo. Inscrições e informações: culturgest@cgd.pt

Folha de sala (pdf)
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
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Texto Jorge Silva Melo Encenação Pedro Gil Com Andreia Bento, Maria João Falcão, Elmano Sancho, António Simão e João Pedro Mamede Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Músico João Aboim Luz Pedro Domingos
Uma produção
Pedro Gil, Artistas Unidos e Culturgest
Agradecimentos José Manuel Costa Reis, Natália Luiza
O texto está editado nos Livrinhos de Teatro (n.º 76)

Gente que espera, gente que já morreu? São quem? Personagens do mundo lírico, Leonoras, Huskymillers, Açucenas? Esperam – desesperam. Já tudo acabou?

 

Uma das minhas cenas primitivas vou encontrá-la n’A Queda do Egoísta Johann Fatzer encenada pelo Jorge. Ainda no século passado. As falas do protagonista apareciam de todos os lados, pelas bocas de vários atores, alternadamente ou em simultâneo. Todos podiam ser Fatzer. Ao longo de mais de 10 anos o Jorge tem-me provocado inúmeras vezes para peças e filmes. Chegou a minha vez de dizer anda daí dar uma volta. Quero discutir com o Capitão Jorge, fazer um projeto assim, de ensaios, reuniões, leituras, reescritas, emails, trocas de livros e DVDs e perpetuar este gesto possível em recusa da morte. Em Sala VIP, para começar, teremos cinco pessoas presas num aeroporto internacional. Depois faremos das palavras do Jorge as nossas perguntas: e depois do sucesso? do dinheiro? do orgasmo? do amor? da juventude? E depois do teatro?

Pedro Gil

 

Quando o Pedro Gil me perguntou se eu estaria interessado em escrever para ele (uma peça, uma não-peça, uma coisa), sabia que ia encontrar um interlocutor e não apenas um encomendador. E eu queria escrever uma peça que ele quisesse montar, como e quando e com quem lhe apetecesse. Mas não uma peça que lhe calhasse a matar, na sequência daquelas que ele tão bem tem feito. Queria que fosse minha, com as minhas inquietações, o que me interessa, o que me inquieta. Queria passar-lhe as chaves do carro (como fiz no filme sobre o Álvaro Lapa), falar com ele da estrutura intrigante das velhas (e afinal tão novas) peças de Terence Rattigan, entregar-lhe um mundo que me desaparece. E há anos que ando, também por nunca ter conseguido dirigir o Boulevard Solitude de Hans Werner Henze, bela ópera sobre a Manon do Abade Prévost, às voltas com esta paixão, esta vertigem, esta morte, o dinheiro. E então será esta a minha Manon, sola, perduta, abbandonata, com saudades de Puccini. Entre salas de espera, hospitais, spas e aeroportos, vamos morrendo, desfeitos. Que vais tu, Pedro, fazer disto?

Jorge Silva Melo

 

 

HUSKYMILLER / DR. HOUSE Não funcionam os rins nem o baço – não funcionam os pulmões.

LEONORA Respiração assistida?

AÇUCENA E a vesícula, o apêndice? O estômago, a laringe? O diafragma, os intestinos.

LEONORA Funciona alguma coisa?

HUSKYMILLER / DR. HOUSE Nem o cérebro. Não responde.

KARSENTY JR Não funciona o coração?

HUSKYMILLER / DR. HOUSE Não.

Jorge Silva Melo, Sala VIP

People who are waiting, people who are already dead? Characters from the lyrical world, Leonoras, Huskymillers, Açucenas? They wait – desperately. Is everything already over?
Carbonozero
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