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CINEMA
Alentejo, Alentejo
De Sérgio Tréfaut
destaque
TER 20 DE JANEIRO
Grande Auditório
21h30 · Duração: 1h40
5€ (preço único)
M12
Recortes de imprensa

A Faux e a Alambique convidam para o lançamento do DVD e do CD com a banda sonora do filme, no dia 20 de janeiro, às 20h30, na Sala 2. Com a presença do realizador e de cantadores alentejanos. O lançamento será acompanhado de cante ao vivo.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
Tripadvisor
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Com Os Camponeses de Pias, Cantadores de Aldeia Nova de São Bento, Grupo da Casa do Povo de Serpa, Os Ceifeiros de Cuba, Grupo do Sindicato Mineiro de Aljustrel, Papoilas do Corvo, Coro Feminino Cantares de Alcáçovas, Os Rouxinóis da Damaia, Os Bubedanas Realização Sérgio Tréfaut Montagem Pedro Marques Direção de fotografia João Ribeiro Imagem João Ribeiro, Marta Pessoa Som Miguel Moraes Cabral, Olivier Blanc, Armanda Carvalho Correção de cor Paulo Américo Misturas de som Luís Delgado, Branko Neskov, Vasco Pimentel Projeto financiado por Câmara Municipal de Serpa Cofinanciamento RTP – Rádio Televisão de Portugal, Fundação Calouste Gulbenkian Produção Sérgio Tréfaut

Prémio Melhor Filme Português – Indie Lisboa 2014
Prémio TAP – Indie Lisboa 2014
Prémio Melhor Filme (competição Internacional) – DocsBarcelona + Medellín

A Minha Descoberta do Alentejo

Descobri o Alentejo na minha adolescência. O meu pai, originário da margem esquerda do Guadiana, queria muito que eu conhecesse a terra dos seus antepassados e o terreno fértil onde estava a nascer a «Reforma Agrária». Enviou-me para passar uma semana na casa de camponeses da Amieira, a aldeia de onde provinham os trabalhadores que cultivavam a terra na Quinta da Esperança, o monte onde ele tinha crescido, junto ao rio Ardila. Confesso que foi muito importante para mim ter vivido o quotidiano de uma família na Amieira, aos 12 anos. Senti na pele o abismo que existia entre o mundo cosmopolita em que eu tinha crescido primeiro no Brasil, depois em Paris, rodeado de exilados políticos, jornalistas e universitários, e o modo de vida pobre de uma pequena aldeia alentejana, onde toda a gente trabalhava no campo e, com sorte, aprendera a escrever o nome depois dos 40 anos.

Perturbou-me e comoveu-me a generosidade das pessoas que me ofereciam absolutamente tudo o que tinham, sem ter nada. Lembro que a casa de banho, recente e precária, ficava fora da casa. O duche era improvisado com uma mangueira de água fria. No primeiro dia devo ter comido frango porque era visita. Mas depois habituei-me à açorda de alho, algo que já conhecia da minha infância brasileira, nos dias em que a empregada nordestina, dava uma gargalhada e perguntava ao meu pai: «Hoje o Seu Miguel quer uma sopa de água?». Lá em casa, toda a gente se espantava com a delícia com que o meu pai comia aquela água fervida com alho, coentros e um ovo escalfado.

Depois voltei muitas vezes ao Alentejo. Rodei várias sequências dos meus documentários por lá (Outro País, Fleurette) e até filmei a quase totalidade da minha primeira ficção (Viagem a Portugal).

Ao mergulhar no Alentejo hoje, já em idade madura, reencontro pessoas de uma fé generosa e panteísta, por quem tenho imenso carinho. Sinto que, para eles, a Senhora de Guadalupe, os Reis Magos, Catarina Eufémia e os rebanhos de ovelhas que passeiam na planície são santos de um mesmo altar.
A respeito do cante, a história é muito simples: foi graças a um grupo de camponeses alentejanos reunidos em serenata, por baixo da janela do quarto onde a minha mãe dormia pela primeira vez, que o meu pai conseguiu convencê-la a deixar a França para casar com ele. Ao longo da vida, a minha mãe chorava sempre que ouvia cantares alentejanos numa taberna. Ela gostava muito de tabernas. Não creio que a razão da sua emoção fosse apenas a lembrança do seu namoro com o meu pai, mas a poderosa comoção que aquelas vozes saídas do fundo da terra lhe causavam. Comigo acontece o mesmo.

Sérgio Tréfaut

 

A projeção de Alentejo, Alentejo na Culturgest coincide com o lançamento dos CD e DVD do filme e responde ao desejo de muitas pessoas que não tiveram ainda a oportunidade de o ver em sala.

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