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CONFERÊNCIAS
Lança o teu pão
sobre as águas (sobre
o Qohélet / Ecclesiastes)
com Maria Filomena Molder
destaque
Jorge Molder. Fotografia da série The Secret Agent, 1991 (pormenor)VER IMAGEM
TERÇAS-FEIRAS
DE 3 A 31 DE MARÇO
Pequeno Auditório
18h30 · Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
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Lança o teu pão sobre as águas é o primeiro versículo do capítulo 11 de Qohélet e introduz-nos imediatamente na atmosfera enigmática e não sentencial deste livro do Antigo Testamento. A tradução em português é minha, feita a partir da tradução italiana do "poema do Velho", assim o qualifica Guido Ceronetti, que desde 1955 o leu e tentou traduzir. A sua primeira tradução publicada data de 1970, seguiram-se as de 1984, 1987, 1991. Em 2001 publica a última versão, embora não definitiva, como se irá perceber e porquê.

Qohélet não é o nome de ninguém. Na Vulgata passou a Ecclesiastes, aquele que reúne, congrega, chama à reunião. Que tem ele para nos dizer? Coisas amargas, que despertam a repulsa, coisas inesperadas e surpreendentes, coisas que se contradizem e não podem deixar de se contradizer. Nenhuma delas nos deixa indiferentes. Trata-se de um conjunto de axiomas e não de provérbios. Não foi escrito para ser comentado por filósofos ou teólogos, mas para ser decifrado. Os axiomas ficam abandonados a eles mesmos, não fazem parte de uma cadeia dedutiva. Ter chegado a eles é sabedoria, e isso implica ter visto "estas coisas" repetidamente. Por isso as repetições não são problemas de estilo.

Qohélet não consola, dele não se pode tirar uma moral repousante que atribua sentido à vida, o que não deve ser confundido com Deus, porque Deus é uma evidência, o sentido da vida não. Como não sei hebreu, e os meus conhecimentos de grego são rudimentares, só posso comparar as traduções de Ceronetti com as de outras línguas europeias, em particular, inglês, francês, alemão. Ele próprio fornece essa possibilidade.

Por consequência, tenho em vista não só comunicar aquilo que vi nas palavras traduzidas de Qohélet, nas quais sopra o vento famélico, como promover a iniciação ao singular pensamento de Guido Ceronetti.

Maria Filomena Molder

 

Maria Filomena Molder é professora catedrática aposentada, FCSH, UNL. Últimas publicações: Símbolo, Analogia e Afinidade, Vendaval, 2009. O Químico e o Alquimista. Benjamin, Leitor de Baudelaire, Relógio d'Água, 2011 – Prémio Pen-Club 2012 para Ensaio. As Nuvens e o Vaso Sagrado, Relógio d'Água, 2014.

 

 

3 de março

Questões de filologia

Devido a questões tecnicas que não conseguimos ultrapassar, apenas o primeiro minuto do vídeo tem o som muito baixo. Pelo facto, pedimos desculpa.

 

 

17 de março

Redução do princípio do terceiro excluído

 

 

 

24 de março

Contra a idolatria do cérebro, a atenção ao ventre

 

 

 

31 de março

Teologia mínima: o conceito de limite

 

Cast thy bread upon the waters – Chapter 11, Verse 1 of Qohélet – leads us into the enigmatic atmosphere of this Old Testament book. Qohélet is no-one's name. In the Vulgate, the book became known as Ecclesiastes, meaning the one that brings together or congregates. What does it tell us? Bitter, unexpected and contradictory things. It is a set of axioms, and not proverbs, a code to be deciphered. I shall be comparing Guido Ceronetti's Italian translations with those from other European languages, explaining what I saw in his Qohélet and offering an introduction to his singular thought. (Maria Filomena Molder)
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