CONFERÊNCIAS
A Máquina do Mundo
com Maria Filomena Molder
destaque
Jorge Molder, Fotografia da série História Trágico-Marítima, 1992 (pormenor)VER IMAGEM
TER DE 31 JANEIRO
A 21 FEVEREIRO
Grande Auditório
18h30 · Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
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Agradecimentos Eduardo Jorge, Francisco dos Santos

Foi Camões a inventar em Os Lusíadas a expressão "máquina do mundo". Ela apresenta-se através do relato profético – cosmorama e geodese, feitos e desastres dos portugueses, o desconhecido que espera os descobridores – de uma deusa ao jovem capitão Vasco da Gama. Quatro séculos mais tarde, Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema em tercinas intitulado precisamente A Máquina do Mundo. Aqui, não há mediações, a máquina entreabre-se numa estrada de minas, pedregosa, ao olhar desalentado do poeta, que a vê fechar-se para não mais. Já no século XXI, Haroldo de Campos compõe também em tercinas, mas rimadas à maneira de Dante, o poema A Máquina do Mundo Repensada, no qual se exercita uma rememoração de Camões, Drummond de Andrade, sob a égide da viagem da Divina Comedia. Regressamos à mediação e ao maravilhamento saturnino. A leitura dos versos dos quatro poetas tem em vista desenhar um inquérito sobre o que seja a máquina do mundo: talvez um nome para o segredo da vida.

Pediremos ajuda a outros poetas e também àquilo que alguns filósofos contam (seguindo o preceito de Montaigne: "je n'enseigne pas, je raconte"), e ainda às coisas ouvidas, vistas e lembradas que vêm ter connosco no dia a dia, confiando no acaso sem o qual (de novo Montaigne) nada de nobre se pode fazer. O momento é de perigo – caminhamos na selva oscura de Dante – e talvez seja a hora de um balanço.

Maria Filomena Molder

 

 

31 de janeiro

"ao bravo gama a máquina oferta / do mundo" *

 

 

 

7 de fevereiro
"drummond minas pesando não cedeu" *

 

 

 

14 de fevereiro

"dante com trinta e cinco eu com setenta—" *

 

 

 

21 de fevereiro

"Agora, nós"

 

 

 

* Versos de A Máquina do Mundo Repensada de Haroldo de Campos, 2000.

 

The "machine of the world" is a term invented by Camões, a unique spectacle presented to the young captain Vasco da Gama. Carlos Drummond de Andrade later wrote a poem with the same name, where the machine is glimpsed by the poet, only to disappear forever more. Haroldo de Campos wrote another poem entitled A Máquina do Mundo Repensada, inspired by Dante's Divine Comedy. Through the verses of these four poets, we seek to discover the machine of the world, perhaps the secret of life itself. We are helped in our quest by other poets and some philosophers, as well as everyday events and memories.
Maria Filomena Molder
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