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EXPOSIÇÃO
Rosemarie Trockel
Flagrante Deleite
Flagrant Delight
DE 13 DE OUTUBRO
A 6 DE JANEIRO DE 2013
Galeria 1
2€ · Entrada gratuita
aos domingos

A galeria estará encerrada nos dias 24 e 25 de dezembro, e no dia 1 de janeiro de 2013.

Visita guiada
por Miguel Wandschneider
Sábado, 5 de janeiro, 17h


Jornal de exposição (pdf)
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
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Nobody will Survive 2, 2008 © Rosemarie Trockel, VG Bild-Kunst, Bonn 2012
Cortesia Sprüth Magers, Berlim e Londres
Curador Dirk Snauwaert

Rosemarie Trockel não é recetiva às bitolas da retrospetiva. Apesar de ter construído um corpo de trabalho considerável ao longo dos últimos trinta anos, ainda não foi feita uma resenha da sua obra. A explicação mais plausível para essa situação é a de que Trockel se tem afastado intencionalmente do processo de registo académico/histórico, um afastamento inteiramente em consonância com a afirmação da artista de que sempre sentiu “interesse pela contradição e pela incoerência internas”. Tal posição contraria a coerência, as conexões e os desenvolvimentos internos à obra aferidos pela retrospetiva, cuja tendência é a de desvendar a obra de um artista de forma coerente e cronológica.

Na verdade, a ideia de uma exposição retrospetiva abrangente é incompatível com a propensão de Trockel para a “incompletude”, para a “opacidade” e para uma linguagem e uma prática estéticas não sistemáticas e abertas. O método de trabalho metafórico e associativo está na base da linguagem visual poética que a artista perfilha. A sua grande liberdade de escolha – de ideias, de meios e de materiais – é inseparável de uma orientação programada que associa um estímulo feminista e antiautoritário ao desmantelamento e à sabotagem iconoclasta de regras e categorias, bem como de formas de agir e de pensar adquiridas e interiorizadas. A focalização feminista de Trockel tende a subverter a ideia da natureza transparente, racional e una da realidade, a que ela opõe opacidade, ineficácia, erro, desordem, desorganização, obscuridade e complexidade.

O caráter pouco convencional da sua interpretação da prática artística tornar-se-á evidente para quem quer que tenha em conta a categorização rigorosamente metódica que ela própria estabeleceu. Trockel organizou Flagrante Deleite de acordo com o medium usado – esculturas, colagens, cerâmicas e têxteis (pinturas em lã) –, impondo uma sucessão que parece obedecer a uma das divisões mais tradicionais e convencionais da história de arte, ou seja, a categoria. Porém, o que inicialmente parece ser uma abordagem rigorosamente categorial torna-se, após um escrutínio mais atento da presente exposição, um inventário extremamente diverso e liberto das possibilidades e limitações de um medium; na realidade, mesmo a mais ténue impressão de categorização é frustrada a cada passo. Os universos imaginários e conceptuais extremamente abrangentes, heterogéneos e conflituantes (ou assim entendidos) povoados pelas suas obras são o que atrai a atenção do observador quando este examina a exposição como um todo. As exposições são um elo, um gesto em direção ao possível desenvolvimento de novas relações. E, numa ótica semelhante, é também assim que esta exposição retrospetiva pode e deve ser interpretada.

 

A exposição é uma colaboração entre o WIELS Contemporary Art Centre, em Bruxelas, a Culturgest e o Museion, em Bolzano.

Rosemarie Trockel does not welcome the rigid drill of the retrospective. Despite her having built up a considerable body of work over the past thirty years, no comprehensive overview has yet been made of her oeuvre. The only possible explanation for such a situation is her deliberate withdrawal from the process of academic/historical record-keeping, a withdrawal entirely in keeping with her claim that she has always felt more “interest in internal contradiction and incoherence”. This position runs counter to the internal coherence, connections and developments suggested by the retrospective and its tendency to unfold the artist’s work in a coherent and chronological manner.

The idea of an all-encompassing retrospective exhibition is indeed at odds with Trockel’s penchant for “incompleteness”, “opacity” and an open and non-systematic aesthetic language and practice. Her metaphorical and associative working method is the basis for the poetic visual language she herself champions. Her great freedom of choice – of ideas, media and materials – goes hand-in-hand with a programmed orientation that combines a feminist and antiauthoritarian stimulus with the dismantling and iconoclastic undermining of rules and categories, as well as of acquired and presupposed forms of acting and thinking. Trockel’s feminist focus tends towards subverting the idea of the transparent, rational and seamless nature of reality, against which she pits opacity, inefficiency, error, disorder, disorganization, obscurity and complexity.

Quite how unconventional her interpretation of artistic practice is will be clear to anyone who considers the strictly methodical categorization she herself has imposed. Trockel has organized Flagrant Delight according to the medium used – sculptures, collages, ceramics and textiles (wool paintings) – imposing a succession that seems to obey one of art history’s more traditional and conventional divisions, namely the category. However, on closer inspection of the actual presentation, what initially appears to be a rigorously categorical approach becomes an extremely diverse and free inventory of the possibilities and limitations of a medium; indeed, even the faintest hint of categorization is thwarted at every turn. The extremely wide-ranging, diverse and conflicting (or so perceived) imaginary and conceptual universes populated by her works are what capture the viewer’s attention when examining it as a whole. The exhibitions are a link, a gesture towards the possible development of new relationships. And this too, in a similar vein, is how this retrospective exhibition can and should be interpreted.

 

Curator: Dirk Snauwaert

 

The exhibition is a collaboration between WIELS Contemporary Art Centre, in Brussels, Culturgest and Museion, in Bolzano.

Carbonozero
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