
Trabalho
Numa época em que a maioria das imagens e dos objetos vem encapsulada numa retórica que tantas vezes lhe é extrínseca, as obras de Ana Santos (Espinho, 1982) parecem-nos estranhamente mudas. Embora possamos entreter a hipótese de estarmos perante corpos puramente abstratos e de ser essa a razão do seu mutismo, não podemos, todavia, deixar de reconhecer que há neles algo de familiar. Por um lado, esta sensação justifica-se pelo facto de alguns destes corpos terem sido, um dia, produtos plenamente funcionais como guarda-chuvas, arquivadores, dossiês ou hula hoops, agora intervencionados e recombinados pela artista. Por outro lado, e a par dos resultados desta estratégia apropriacionista, o trabalho de Ana Santos integra também um conjunto de obras nascidas por intermédio da transformação direta de materiais como a madeira, o mármore ou o chumbo e cujas formas finais parecem constituir signos de um léxico ainda por determinar mas já carregado de um claro sentido. A adoção descomplexada destas duas estratégias produtivas coloca o trabalho de Ana Santos na fronteira entre as grandes tradições escultóricas da modernidade. Porém, longe de se embrenhar num diálogo com a história deste meio ou com as suas múltiplas ambições, a sua obra ganha singularidade no modo rigoroso como coloca cada um destes objetos nesse ponto de estranha familiaridade capaz de os revestir, a um tempo, de um poder fundador, de um caráter alegórico e de uma função litúrgica. A exposição que agora se apresenta no Chiado 8 trata desse efeito para lá de toda a retórica, dessa mudez produtiva que define um campo de ação e que requer participantes muito mais do que espectadores. Ana Santos é licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes do Porto (2005) e mestre em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela Universidade Nova de Lisboa (2010). Em 2004, e no âmbito do programa Erasmus, estudou na Staatliche Akademie der Bildenden Kunste, em Karlsruhe, na Alemanha. Em 2006, frequentou o curso de Artes Visuais do programa Criatividade e Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian e em 2007 concluiu o Projeto Individual do Ar.Co. Entre setembro de 2010 e fevereiro de 2011 foi artista em residência no International Studio & Curatorial Program, em Nova Iorque. |
20.01
30.03.2012
Sem título, 2011 |
Chiado8 Arte Contemporânea,
inaugurado em Janeiro de 2002, é um projecto da Companhia de
Seguros Fidelidade Mundial que, aproveitando a localização
privilegiada de um dos seus edifícios centrais, decidiu participar
nas iniciativas de reabilitação do Chiado através
da criação de um espaço de divulgação
da arte contemporânea cuja programação está,
desde Março de 2006, entregue à Culturgest. No primeiro
triénio, de Maio de 2006 a Janeiro de 2009, o curador responsável
pela programação deste espaço foi Ricardo Nicolau.
Actualmente, e até 2012, o programador e curador das exposições
apresentadas é Bruno Marchand.
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Chiado 8 Arte Contemporânea Largo do Chiado, nº8 1249-125 Lisboa Tel 21 323 7346 www.fidelidademundial.pt De segunda a sexta-feira, das 12h00 às 20h00. Encerra aos fins-de-semana e aos feriados. |