DESDOBRAR TEMPO

O novo disco de Bruno Pernadas divide-se em 9 composições para secção rítmica, vozes, metais, madeiras e eletrónica. Das paisagens sonoras da música de fusão dos anos 80 ao Indiepopjazz descontrolado e pop, passando pelo dance hall proveniente da cultura sound system da Jamaica dos anos 50 e 60. Até nos fixarmos na sonoridade herdada pela espiritualidade dos mestres do jazz dos anos 60.
A viagem por unlikey, maybe começou no verão de 2025 entre Lisboa, Porto, Funchal e Azeitão; e o apartamento de Bruno Pernadas em pleno dia, sem isolamento acústico e agora materializa-se nos concertos de apresentação na Culturgest.
Em palco, Bruno Pernadas assume a direcção musical, nas guitarras, sintetizadores e voz, acompanhado por António Quintino no baixo elétrico e contrabaixo, João Correia na bateria, José Diogo Martins no Rhodes e sintetizadores, Jéssica Pina no trompete, flugelhorn e voz, Maria João Leite no saxofone, flauta e voz, Teresa Costa (em Lisboa) e Clara Saleiro (em Espinho) na flauta e voz, Afonso Cabral na voz e guitarras e ainda pela voz convidada de Leonor Arnaut.

Making of
unlikely, maybe

Video: Maria Bicker
Louva-a-deus Studio footage: Maria Bicker
Arda Recorders Studio footage: Rui Pinheiro
Narrado por: Catarina Barros

Casa Forte com
Bruno Pernadas

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Compartimento muito seguro, de banco ou empresa, onde se guardam dinheiro, documentos ou objetos de valor.
Casa Forte #38 | Bruno Pernadas | 2026
Vídeo: Joana Linda

"Este disco surgiu na necessidade de criar um álbum que fosse transitório dos anteriores e tentar encontrar uma nova linguagem para os próximos trabalhos. Embora goste muito das músicas que fazem parte do disco, sinto que ainda não consegui chegar a esse lugar. Por isso é que o considero transitório, no sentido em que ainda tem algumas das ferramentas dos outros álbuns – como alguns recursos mais harmónicos da linguagem pop."

Bruno Pernadas em entrevista à Time Out

 

Faixa-a-faixa

unlikely, maybe, de Bruno Pernadas, explicado pelo próprio
Em Rimas e Batidas
Untitled (raindrops)

“O ‘Untitled’ foi das primeiras músicas que fiz para este disco. Acho que é das mais antigas, a par do ‘Campus on Fire’. Quando a fiz, tinha a certeza que ia entrar no disco e que ia ser a primeira faixa. A não ser que surgisse um candidato melhor, o que não aconteceu. A música tinha um final diferente. Aquele final que agora se ouve, com três mudanças de tom, surgiu meio de improviso. Experimentei só para tirar essa hipótese da frente e gostei tanto que acabou por ficar. Ficou muito mais interessante assim”.

Juro que vi túlipas

“Esta música tem uma coincidência engraçada. Eu juro que não sabia que a MARO tinha uma música chamada ‘Juro Que Vi Flores’. Conheço-a, mas não conhecia essa canção. Há quem ache que eu conhecia e que roubei o título, mudando uma palavra, mas isso não é verdade. A música foi feita em pauta. Gravei apenas o solo, aquele solo com um pedal que simula uma espécie de vocoder, e o solo que está na demo é o que ficou no disco. No final, fiz um rap e cantei eu, mas nunca fiquei muito satisfeito com a minha voz. Convidei várias pessoas para fazerem o rap e ninguém quis. No verão passado, estava a dar uma formação no Funchal e conheci a Maya Blandy. Dei-me muito bem com ela e fiz-lhe a proposta. Ela aceitou logo e deixou-me completamente à vontade para experimentar. Gravámos de manhã e correu tudo à primeira. Fiquei muito contente com essa solução. A voz dela é incrível”.

Steady Grace

“’Steady Grace’ surgiu de uma improvisação com um teclado pequenino, um Casio que trouxe de Berlim há muitos anos. Estava a improvisar e deixei o telefone a gravar. Mais tarde, quando fui ouvir, adorei. É a minha música preferida do disco. Não só por ser dancehall ou rocksteady, mas porque a melodia e a harmonia funcionariam noutra abordagem qualquer. Gravei os instrumentos aqui no escritório, liguei um órgão a um delay e fiz tudo de seguida. No final achei que devia ter aquele momento mais dub, que ao vivo podemos prolongar. Mas em disco fazia sentido manter a duração”.

Já não tem mais encanto

“Foi um samba que fiz porque me apeteceu fazer um samba contemporâneo. Nunca pensei que fosse entrar no álbum, mas depois decidimos gravar. Convidei algumas cantoras brasileiras e não resultou. Depois uma amiga falou-me da Lívia Nestrovski. Fui ouvir, vi que ela já me seguia, falámos e demo-nos logo bem. Quando veio a Portugal, fomos para o estúdio e correu tudo lindamente. É também a única música que assino como coautor com a Rita Westwood, que participou na letra”.

Campus on Fire

“É das mais antigas do disco. A ideia partiu de imaginar que eu presenciava a história de Fahrenheit 451 e depois sonhava com isso. A letra é como se fosse o meu sonho sobre essa história. Escrevi partes em Portugal, depois em Berlim, e o resto da letra numa viagem de comboio entre Berlim e Utrecht. Sempre soube que queria que fizesse parte do álbum”.

His world

“No início, não era para entrar no disco. Mostrei a amigos e comecei a receber elogios. Decidimos gravar e depois logo se via. A música começou a ganhar outra forma, sobretudo com aquela jam final. Comecei a gostar mais dela e achei que fazia sentido incluí-la. Gosto muito daquele refrão meio R&B indie”.

Spiritual Spaceman

“Fiz esta música com a banda antiga, em tour. Já a tocámos várias vezes ao vivo antes de a gravar. Queria muito registá-la. Convidei a Leonor para cantar. Gravámos no estúdio Arda, no Porto, todos a tocar ao mesmo tempo. As versões eram enormes por causa dos solos, por isso tivemos de editar. A ideia inicial era no final ser a voz da Leonor com a Margarida a responder. Mas no estúdio lembrei-me de perguntar se todos queriam cantar. Toda a gente aceitou e gravámos um coro no centro da sala. Ficou incrível, ainda por cima com a chamber do estúdio”.

Leo Minor

“As pessoas pensam que ‘Leo’ é por causa da Leonor, mas é coincidência. É o nome de uma constelação. Fiz esta música em digressão. Já a toquei muitas vezes, até no Japão. Sempre soube que ia fazer parte do disco”.

Song in MT-65

“O título é uma piada. Em vez de ‘Canção em Ré’ ou ‘Canção em Fá’, é ‘Canção em MT-65’, que é o modelo do teclado. Como se o teclado fosse a tonalidade. No início era para ser uma coisa mais agressiva, mais repetitiva, quase punk. Mas quando foi tocada tomou outro caminho. Não ficou como eu imaginei, mas acabei por gostar e incluí no álbum. Curiosamente, apesar de parecer mais difícil, não é. A mais difícil de tocar é ‘Juro que vi túlipas’”.

Sobre Bruno Pernadas

 

Licenciado em música pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), na área de Jazz, Bruno Pernadas iniciou o seu percurso musical aos 13 anos, estudando Guitarra Clássica. Concluiu o Curso de Jazz na Escola Luís Villas-Boas (Hot Clube de Portugal). O seu trabalho discográfico foi amplamente elogiado pela crítica nacional e internacional, sendo considerado um dos melhores trabalhos de cada ano de lançamento.

O sucesso comercial de Bruno Pernadas resultou em digressões por países como Japão, Espanha, França, México e Brasil. O seu trabalho como músico e instrumentista inclui colaborações com bandas como Julie & The Carjackers, Minta & The Brook Trout, The Sun Ra Project (como líder e arranjador) e Montanhas Azuis. Também produziu o quarto álbum da banda japonesa Kikagaku Moyo, Massana Temples, e o disco de estreia de Margarida Campelo, Supermarket Joy.

Como compositor, Bruno Pernadas tem uma vasta experiência na criação de bandas sonoras para Cinema, Teatro, Dança e Televisão. Destacam-se as suas colaborações com a Companhia Nacional de Bailado, Rui Horta, Leonor Keil, Casa Bernardo Sassetti, Catarina Mourão, Manuel Mozos, Gonçalo Waddington, Alexandra Lucas Coelho e os projetos de Filme-Concerto com Buster Keaton e Orson Welles, bem como sua participação no Festival Indie-Lisboa e o Festival de Cinema Vila do Conde.

FICHA TÉCNICA

EDIÇÃO
Carolina Luz

REVISÃO DE CONTEÚDOS
Catarina Medina

DESIGN E WEBSITE
Studio Macedo Cannatà & Queo