Adquirida em 1986, cerca de um ano depois de ter sido mostrada no âmbito da Representação Portuguesa na 18.ª Bienal Internacional de São Paulo – junto com obras de António Dacosta, Júlio Pomar e Lourdes Castro, escolhidas por José Sommer Ribeiro –, Estudo para o retrato de Conceição Pedro é uma pintura que exemplifica “a tentativa de representar o corpo” que atravessa até hoje toda a obra de Sérgio Pombo (Lisboa, 1947). 

Diz-nos o próprio, num texto de 2017, a propósito da sua exposição Estátuas de Pintura (na Fundação D. Luís I): “Todo o meu trabalho plástico foi, desde o início, a tentativa de representar o corpo. O Homem e a Mulher. Nunca pintei paisagens e nunca me interessou «a pintura figurativa» enquanto modo de contar histórias. Também nunca quis fazer poesia. A não ser a poética que nasce, pouco a pouco, das próprias coisas. Gosto do objecto-pintura-escultura. O meu desejo foi sempre representar o corpo na sua estrutura mecânica, geométrica e de escala.”

É esse desejo de explorar os limites do corpo que constitui o mote da mais recente antológica que lhe é dedicada pela Fundação Carmona e Costa, com curadoria de João Pinharanda: intitulada Sérgio Pombo, Obras 1973-2017, a exposição apresenta um importante conjunto de pinturas históricas, datadas dos anos de 1970 e 80, conhecidas, mas há muito tempo não expostas (caso do Estudo para o retrato de Conceição Pedro) e um vasto conjunto de trabalhos inéditos sobre papel. É visitável até 11 de janeiro de 2020.

Sérgio Pombo
Estudo para o retrato de Conceição Pedro
1983
Óleo sobre tela
162 x 130
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