“O erro, o imaterial, sempre atraiu, e este título está embebido de tudo isso. era com h aparece num sonho em tom de prenúncio, é quase surreal. (…) Começando a debulhar tudo o que traz consigo, fez sentido a ambiguidade, se for dito provavelmente será escrito de outra maneira, e aqui gostámos dessa dupla interpretação desse lugar múltiplo da poesia, do que nem tudo o que parece é.”
– Lavoisier, VoxPop
O Mundo Bem Monstro
Voz: Patricia Relvas
Guitarra elétrica, acústica, efeitos e campaniças: Roberto Afonso
Guitarra elétrica: Pedro Branco
Baixo: Ricardo Dias Gomes
Adufe: Mário João Santos
Poema: Raquel Nobre Guerra
Mix e Master: Martín Scian
Produção: Lavoisier
Realização: João Ferro Martins
era com h, por dentro
O projeto Lavoisier regressa com um álbum que desloca o centro da criação para a palavra dita e cantada, e explora a fronteira porosa entre a poesia e a música, convidando dez poetas contemporâneos a oferecerem textos inéditos, não como ornamento lírico, mas como ponto de partida para a composição. O encontro com cada poeta não partiu de um tema ou de uma encomenda, nasceu de uma conversa de café, de inquietações partilhadas, de coincidências felizes que foram abrindo caminho.
O título era com h nasce de um sonho e carrega consigo uma pluralidade de leituras que lhe é essencial. A ambiguidade entre o que se ouve e o que se escreve atravessa todo o trabalho: dito em voz alta, o título sugere uma coisa; escrito, revela outra. Há ainda o h como consoante muda e o h como símbolo do humano em transformação, incluindo o papel da mulher, que Patrícia Relvas reconhece estar também inscrito no nome. E há a era enquanto período, não um começo, mas um momento em que já estamos dentro de algo novo.
“Um álbum de poetas a tocar o real, música e palavra unidas para criar um outro lugar. (...) Faz-se realmente dessa dança com as palavras, e da dança que as palavras fazem, em passos diferentes, com o perturbador mundo em que caminhamos actualmente.”
– Público
Para era com h, os Lavoisier assumem pela primeira vez uma formação alargada. À voz, guitarra, harmónio e percussões de Patrícia Relvas, e à guitarra elétrica, clássica e voz de Roberto Afonso, juntam-se Pedro Branco na guitarra elétrica, Ricardo Dias Gomes no baixo e sintetizador, e Diogo Arranja na bateria. A completar o universo tímbrico do álbum, Helena Liberato na flauta transversal, Mário João Santos no adufe e Leonardo Reis nas percussões.
O som estende-se por territórios de tradição e contacto físico com instrumentos de corpo, pele e sopro, sem perder a atenção à pulsação e ao gesto. Cada instrumento contribui para que as palavras não sejam simplesmente acompanhadas, mas amplificadas no seu poder expressivo, na sua densidade sonora, na sua presença no espaço. É essa densidade que transforma a poesia em música, e a música em experiência escutável.
Fontes: a partir de entrevistas a Lavoisier publicadas no Diário de Notícias, no Público, na VoxPop e LOOK Mag.
Faixa-a-faixa
era com h, de Lavoisier
01. Ponte - José Luís Peixoto
02. Banquete Ácido - Maria Giulia Pinheiro
03. O Mundo Bem Monstro - Raquel Nobre Guerra
04. Pé de Vento - Alice Neto
05. Portugal Não Me Respeita - Nástio Mosquito
06. Mais Uma Canção de Amor e Luta - Nuno Miguel Guedes
07. Quiçá o Mar - Vinicius Terra
08. Era Uma Menina - Maria do Rosário Pedreira
09. É Pena que os Peixes Não Saibam Cantar - José Anjos
10. Melúria - Filipe Homem Fonseca
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