Tecer o tempo

Jean Luc Raharimanana, Leonora Miano, Sénamé Koffi Agbodjinou
© Bruno Castro.

Ler um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa. Se a sociedade é feita de pessoas, podemos dizer então que a literatura pode mudar o mundo. O escritor malgaxe Raharimanana, a escritora cameronesa Leonora Miano e o antropólogo e arquiteto do Togo, Sénamé Koffi Agbodjinou pegam no poder transformador de contar histórias e tentam refazer o tecido social de um mundo desfeito por séculos de conflitos e exploração, através da escrita.

Acompanhamos as ideias e as pequenas revoluções criadas pelos nossos convidados a partir de três pontos de vista: a literatura como forma de convocar o encontro entre múltiplos mundos e de reparar o tecido social despedaçado pelo processo colonizador em África (Raharimanana); os livros nutridos por profundas investigações históricas, pela experiência afroeuropeia e por um amor supremo, inabalável, que criam novas possibilidades para um futuro verdadeiramente em comum (Miano); e a partilha dos resultados da prática urbanística high-tech tornada acessível a todos e do impacto das crenças ancestrais na organização das aldeias (Agbodjinou).

02 DEZ 2020
QUA 18:30

Reservas abertas
Pequeno Auditório e Live Streaming
Entrada gratuita*  
Duração 2h

* O bilhete pode ser levantado no próprio dia 15 min. antes do início da sessão ou reservado previamente através deste site (lotação reduzida)

Em francês com tradução simultânea

+ info aqui

Live streaming das conferências no Facebook e Youtube da Culturgest.

Parceria

Réseau d'Afrique

Com o apoio

Institut Français

Parceria

Festival Plumes d’Afrique (Tours, França) e Réseau Afrique 37

Apoio

Institut Français de Paris

Jean Luc Raharimanana biografia

Jean Luc Raharimanana (1967, Antananarivo, Madagáscar) é escritor, poeta, dramaturgo, ator e músico. Deixou o seu país com 22 anos, depois de uma peça de teatro sua ter sido interdita, e instalou-se em França. A peça O Profeta e o Presidente recebeu o Prémio Tchicaya U'tamsi do Teatro Inter-Africano em 1990. Após um período de estudos na Sorbonne e no Instituto de Línguas e Civilizações Orientais, foi jornalista antes de ser professor. Raharimanana abandona tudo para se dedicar a literatura sem moderação. Atacar-se as palavras e amassar o seu significado até que a sua musicalidade penetre nas profundezas do leitor, torna-se a sua principal preocupação. É autor de vários livros de ficção e de poesia, com os quais recebeu várias distinções literárias, entre eles Nour 1947 (2003) sobre a história dos movimentos de insurgência contra colonial que teve lugar em 1947, em Madagáscar; Rêves sous le linceu [Sonhos sob a mortalha], escrito no rescaldo de Nour 1947 mas marcado também pelas imagens do genocídio do Ruanda, da guerra jugoslava e pela leitura dos textos Las Casas acerca do extermínio dos indígenas e da escravatura, recebeu o Grand Prix littéraire de Madagascar, 1996; Les cauchemars du gecko [Os pesadelos da lagartixa], Prémio de poesia da ilha de Ouessant, 2011 e Revenir [Voltar], Premio Jacques Lacarrière, 2018. Os seus livros estão traduzidos em alemão, italiano, espanhol e inglês. Autor de inúmeras peças teatrais e contos musicais, Raharimanana traz os seus textos para o palco, fundando, em 2014, a companhia SoaZara, reunindo dramaturgos, músicos, videastas e bailarinos. Em 2019, as suas peças Les cauchemars du Gecko, 47 e Excuses et dires liminaires de Za, encenadas por Thierry Bedard, e uma exposição de fotografia Retratos de Insurgentes, foram apresentadas no Festival de Avignon. Em 2019, escreve o argumento do filme ZahoZay sobre a experiência do sistema prisional malgaxe, selecionado para competição no FIDMarseille 2020 – 31.º Festival internacional de Cinema de Marselha e La Viennale 2020 – Festival Internacional de Cinema de Viena.

Léonora Miano biografia

Léonora Miano (1973, Douala, Camarões) viveu vários anos em França e recentemente instalou-se no Togo. Com uma obra literária de grande relevância, centrada em temas como a entrada da cultura europeia no mundo africano, a consciência e as vivências da África subsariana e da diáspora afro-europeia. Publicou nove romances, entre eles L’interieur de la nuit [O interior da noite] (2005), livro multipremiado editado em Portugal por Europress, Contours du jour qui vient (2006), livro vencedor do prémio francês Goncourt des lycéens, Les Aubes écarlates (2009), La Saison de l’ombre [A estação da Sombra] (2013), prémio Femina, editado em Portugal pela Antígona, Crépuscule du tourment 1 et 2 (2016 e 2017), entre outros. O seu último livro, Rouge Impératrice [Vermelha Imperatriz], nomeado para o prémio Goncourt de literatura 2020, é uma história de amor firme e de transformação civilizacional situada no futuro, em Katiopa, um outro nome para um território africano próspero e quase todo unificado, para onde os refugiados de um sinistro ocorrido na Europa foram procurar refúgio.

A sua obra conta ainda com vários ensaios, entre eles, as conferências reunidas em Habiter la Frontiere [Habitar a Fronteira] (2012) e Marianne et le garçon noir [Mariana, o rapaz negro] (2017) e peças de teatro. Em 2018, o Teatro da Colina, em Paris, apresentou a sua peça Révélation Red in Blue trilogie, pela companhia japonesa Shizuoka Performing Arts Center, uma ficção que tem lugar no mundo dos mortos, inspirada na história do tráfico de escravos africanos, sobre a possibilidade de reparação da vida. Em 2014, o Ministério da Cultura de França atribui-lhe o título de Chevalier de l'ordre des Arts et des Lettres.

Sénamé Koffi Agbodjinou biografia

Sénamé Koffi Agbodjinou (1980, Lomé, Togo) é arquiteto e antropólogo de formação, empresário e curador de exposições. Depois de uma longa experiência na construção humanitária, funda L’Africaine d’architecture, uma plataforma de investigação e experimentação sobre as questões da arquitetura e das cidades africanas. Através desta plataforma é proposta uma alternativa arquitetural que valoriza os cânones de organização espacial e da habitação ancoradas no território africano e os recursos do “cru”. Em 2006, foi mestre de obra da Escola Tammari, um complexo escolar para 200 crianças realizadas em terra crua e recorrendo a técnicas mistas com a população e os construtores tamberma (Togo do norte, Património Mundial da Unesco).

Koffi Agbodjinou age também no âmbito do digital, defendendo um “vernacular numérico” que surge de um paralelismo encontrado entre uma ética Hacker e os valores de sociedades tradicionais africanas. Criou o conceito de LowHighTech para sublinhar esta proximidade entre cultura tradicional e culturas digitais e encetar uma serie de ações que procuram implicar as camadas mais modestas da população. Fundou e dirige WoeLabs, Espaços Africanos de Democracia Tecnológica, uma rede de tech-hubs togolesa, cuja ambição é tornar todos os cidadãos iguais face à tecnologia, no âmbito da qual lançou várias empresas partilhadas do Grupo HubCity-Silicon Village, e criou a Woebots-Wafate, a primeira impressora 3D africana construída com lixo informático.

Como artista, Sénamé expôs no ZKM, em Karlsrue (Alemanha) e na Bienal de Arquitetura de Veneza 2020. Como curador, concebeu as exposições #LowHighTech D. Xperience, na escola de Design de Pforzheim e LOME+, no Palácio das Artes de Lomé. Colaborou ainda com o pavilhão alemão de arquitetura da Bienal de Arquitetura de Veneza. Bolseiro, depois 2017, do programa de empreendedores sociais da Fundação Ashoka.

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