No âmbito do empréstimo da pintura Coelhos (1990) de Pedro Portugal (Castelo Branco, Portugal, 1963), pertencente à Coleção da Caixa Geral de Depósitos, para a exposição A Arte Que É - II, no Museu Municipal de Tavira - Palácio da Galeria, destaca-se a biografia do artista e propõe-se uma possível leitura da obra.

O percurso artístico de Pedro Portugal inicia-se na Escola de Artes Decorativas da António Arroio e em 1985 forma-se em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Durante o curso, em 1983, funda, conjuntamente com os artistas Pedro Proença, Manuel João Vieira, Ivo, Xana e Fernando Brito, o grupo Homeostético. Em 1988 realiza uma viagem de estudo aos Estados Unidos da América como bolseiro da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Em 1985 realiza a sua primeira exposição individual na Módulo – Centro Difusor de Arte em Lisboa. Desde então tem participado em diversas exposições coletivas, fundado grupos artísticos e realizado performances, happenings e esculturas públicas. A sua inquietude artística tem promovido uma visão irónica sobre a pintura e sobre o meio artístico, cultural e social envolvente. Atualmente é professor de Artes Visuais na Universidade de Évora, onde defendeu a tese de doutoramento “A Arte Que É. As causas das coisas que são arte”, em 2012.

Partindo inicialmente de interesses do âmbito da disciplina de pintura, através dos elementos gráficos da imagem, o seu trabalho tem extravasado para um campo alargado de diferentes dispositivos que se investem de intervenção política mais crítica sobre a sociedade onde se estabelece. A exposição A Arte Que É – II vem reforçar esta ideia. Através da relação entre pinturas de grandes dimensões e vídeos, objetos e desenhos, o artista questiona pertinentemente os signos, símbolos e ícones que povoam a imagética da sociedade consumista e capitalista. A pintura Coelhos (1990) recupera uma linguagem Pop através das cores uniformes, das silhuetas geométricas e lineares e da composição repetitiva. Contudo, a pintura parece não se esgotar nestas premissas, a ironia das formas apresentadas – círculos, coelhos, árvores, folhas – revela-se num jogo de decifração de significados e relações. O sentido de humor e a provocação surge através de múltiplas referências – umas privadas outras públicas – ao meio artístico da sua época. É nesta criatividade exuberante que surge uma posição política e crítica ao seu tempo. A ação do presente torna-se imprescindível no papel e na importância da Arte, que ao ser vista como condição essencial à humanidade desvela-se inconformável e subversiva.


Lisboa, dezembro 2021
Hugo Dinis
 

Pedro Portugal
Coelhos
1990
Acrílico sobre tela
200 x 250 cm
Inv. BI 10
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