Isso (2021) de Pedro Casqueiro destaca-se no âmbito do empréstimo desta pintura ao MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Lisboa. A obra apresenta-se na exposição antológica Detour, com curadoria de João Pinharanda, patente entre 12 de novembro de 2025 e 6 de abril de 2026.
Tendo concluído o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1984, Pedro Casqueiro cedo diversificou o seu léxico pictórico, abrangendo uma multiplicidade de suportes e técnicas, numa “frenética versatilidade” (Bruno Marchand). Privilegiando a imagem pintada – seja abstrata, figurativa, arquitetónica, de banda desenhada ou de grafismo –, a sua obra denota mestria, virtuosismo “e uma iminente sensualidade” (Alexandre Melo). Profundamente enraizada na história da pintura contemporânea, nomeadamente no movimento de regresso à pintura após o seu proclamado termo no final da década de 1980, a produção de Casqueiro destaca-se pela singularidade do “seu carácter desviante e insubordinado” (Miguel Wandschneider) no panorama artístico português. O artista sempre revelou uma apetência natural para o uso da cor, explorando contrastes vibrantes e subtis velaturas através das quais constrói composições festivas e inebriantes. Movido pela vontade constante de ampliar o seu leque de possibilidades e variações pictóricas, Casqueiro testa e explora os limites e as liberdades da pintura. Se bem que inicialmente privilegiasse as grandes dimensões, a pintura a óleo e a cor saturada, anos mais tarde a sua prática evolui: as telas tornam-se mais contidas, a técnica passa para o acrílico e a paleta incorpora tons de cinzento, branco e negro, demonstrando a sua notável capacidade de metamorfose e renovação. “Em todas essas formulações passa uma ideia de encantamento e transfiguração permanente da pintura através dos seus processos – que são hoje muito amplos.” (Delfim Sardo).
Adquirida em 2021, a pintura Isso integra uma série – onde se inclui a obra Anymore, também da Coleção da CGD – apresentada nesse mesmo ano na exposição Granuja, na Galeria Miguel Nabinho, em Lisboa. O conjunto de pinturas então exposto revela um denominador comum: a cor, outrora sofisticada e exuberante, surge agora em registos cinzentos ou em surdina. Segundo o artista, “é uma necessidade irracional, suponho eu, da cor corresponder com o teu estado de espírito, com a tua necessidade, com a expressividade da imagem. Pode haver… Sem ser uma doença mental, penso que há um pouco de cromofobia.” (Pedro Casqueiro). As texturas, os padrões e as palavras assumem-se como preocupações maiores num contexto pictórico amortecido. Ao influenciar e pressionar a relação entre superfície e imagem representada “os seus aturados exercícios de composição, desmantelamento e recomposição do mundo parecem poder salvá-lo do enorme tédio da vida moderna.” (João Pinharanda).
Das exposições individuais que tem realizado desde 1981, quando tinha apenas 21 anos, destaca-se também a exposição retrospetiva com curadoria de Maria José Moniz Pereira, apresentada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian em 1997, quando o artista tinha 38 anos.
Hugo Dinis