Câmera-Corpo

Câmera-Corpo

Mostra de Cinemas Indígenas do Brasil

Câmera-Corpo

Mostra de Cinemas Indígenas do Brasil

Curadoria: Júnia Torres e Daniel Ribeiro Duarte

Este ciclo apresenta um conjunto de filmes realizados em diferentes contextos étnicos, sociais, geográficos e raciais, que estabelecem um diálogo produtivo com as questões mais relevantes de nosso tempo e onde se materializa uma importante diversidade de olhares.

Associado ao lançamento em sala do novo filme de João Salaviza e Renée Nader Messora, A Flor do Buriti, que retrata a luta empreendida pela comunidade indígena Krahô pela terra e as diferentes formas de resistência implementadas pela comunidade, o Forumdoc.bh - Festival do Filme Documentário e Etnográfico traz algumas das produções audiovisuais indígenas mais recentes no Brasil.

Câmera-Corpo – Mostra de Cinemas Indígenas do Brasil decorre também no Cinema Trindade, de 14 a 16 de março.

PROGRAMA

4 ABR

16:00-18:00
Mãri hi A Árvore do sonho, de Morzaniel Ɨramari, 2023, 17min
Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando, de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami, 2023, 9min
Yuri u xëaKma thë A Pesca com Timbó, de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami, 2023, 10min
Kaapora O Chamado das Matas, de Olinda Yawar Tupinambá, 2020, 20min

18:30 – 21:30
Yvy Pyte - Coração da Terra, de Alberto Alvares, 2023, 111min
Conversa com Alberto, Rodrigo Lacerda 

5 ABR

16:00 – 18:00
Essa Terra é Nossa!, de Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero, 2020, 70min
Conversa com Carolina Santara, Liliana Coutinho
*vídeo realizadores SUELI 

18:30 – 21:00
Ketuwajê, de Mentuwajê Guardiões da Cultura (Krahô) e Coletivo Beture (Mebêngôkre-Kayapó), 2023, 77min
Cupē Te Mē Iquêtjê Jipej Catêjê - Homem Branco Massacrou o Meu Povo Krahô, de Hýjnõ Krahô e Felipe Kometani Melo, 2023, 41min
*conversa com Renée Nader Messora, João Salaviza

Algumas das produções audiovisuais indígenas mais recentes no Brasil, são apresentadas no Ciclo de cinema Câmera-Corpo, em abril. O ciclo está associado ao novo filme de João Salaviza e Renée Nader Messora, A Flor do Buriti, sobre a luta da comunidade indígena Krahô. João Salaviza e Renée partilham excertos do filme para imaginarmos as pessoas e o seu lugar.
© Beture Simone.

04 ABR 2024
QUI 16:00, 18:30

05 ABR 2024
SEX 16:00, 18:30

Comprar Bilhetes
Pequeno Auditório
4€
Desconto de 25% para pessoas até aos 30 anos, maiores de 65 anos e com deficiência e acompanhante.
Duração 2h
M/12 (exceções no programa)

Filmes legendados em português

Programa Completo

4 ABR

16:00 – 18:00

Mãri hi / A Árvore do Sonho
2023 | 17min | Amazonas, Roraima/Brasil

Quando as flores da árvore Mãri desabrocham surgem os sonhos. As palavras de um grande xamã conduzem a uma experiência onírica através da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.

Direção: Morzaniel Ɨramari 
Com: Davi Kopenawa Yanomami
Direção de Fotografia e Câmera: Morzaniel Ɨramari 
Produção: Aruac Filmes
Coprodução: Hutukara Associação Yanomami

 

Thuë Pihi Kuuwi / Uma Mulher Pensando
2023 | 9min | Brasil/Amazonas, Roraima/Brasil

Uma mulher yanomami observa um xamã durante a preparação da Yãkoana, o alimento dos espíritos. A partir da narrativa de uma jovem mulher indígena, a Yãkoana, que alimenta os Xapiri e permite aos xamãs entrar no mundo dos espíritos, também propõe um encontro de perspectivas e imaginações.

Direção: Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami
Fotografia: Roseane Yariana Yanomami
Montagem: Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami, Carlos Eduardo Ceccon, Julia Faraco e Rodrigo Ribeiro-Andrade
Som: Marcos Lopes da Silva
Produção: Aruac Filmes

 

Yuri U Xëatima Thë / A Pesca com Timbó
2023 | 10min | Amazonas, Roraima/Brasil

Dois jovens realizadores Yanomami descrevem o processo de pesca com timbó, o cipó tradicionalmente empregado para atordoar os peixes. O encontro de vozes e perspetivas sugere o reencantamento das imagens como forma de contar histórias.

Direção: Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami
Fotografia: Roseane Yariana Yanomami
Montagem: Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami, Carlos Eduardo Ceccon, Julia Faraco e Rodrigo Ribeiro-Andrade
Som: Marcos Lopes da Silva
Produção: Aruac Filmes

 

Kaapora / O Chamado das Matas 
2020 | 20min | Brasil, Bahia

Uma narrativa sobre a ligação dos povos indígenas com a Terra e sua espiritualidade, do ponto de vista da diretora Tupinambá, Olinda Yawar, que desenvolve projeto de recuperação ambiental nas terras de seu povo. Tendo a cosmovisão indígena como lente, a Kaapora e outros personagens espirituais são a linha central da narrativa e argumento deste filme. 

Direção: Olinda Muniz Silva Wanderley
Fotografia: Samuel Wanderley
Edição: Samuel Wanderley e Olinda Wandeley
Elenco: Olinda Wanderley e Maria Rita Muniz
Produção e Roteiro: Olinda Muniz Silva Wanderley

 

18:30 – 21:30

Yvy Pyte / Coração da Terra
2023 | 110min | Brasil/Paraguai

Este longa-metragem documental nasce do desejo do cineasta guarani Alberto Alvares (Tupã Ra'y). Historicamente, diversas fronteiras foram impostas em território Guarani, causando sérias mudanças. Encontros, deslocamentos, novas e velhas fronteiras perpassam as histórias deste filme, capaz de nos levar ao território sagrado "Yvy Pyte", de onde o mundo surgiu para o povo guarani, o Coração da Terra.

Direção: Alberto Alvares e José Cury
Fotografia: Alberto Alvares, Bernard Machado e José Cury
Montagem: Iris Oliveira
Som: Bruno Vasconcelos
Produção: Paula Kimo

*Sessão Apresentada por Alberto Alvares e Rodrigo Lacerda

 

5 ABR

16:00 – 18:00

Nūhū Yãg Mū Yõg Hãm / Essa Terra é Nossa!
2020  | 70min | Brasil/Minas Gerais

Antigamente, os brancos não existiam e nós vivíamos a caçar com os nossos espíritos yãmĩyxop. Mas os brancos vieram, derrubaram as matas, secaram os rios e espantaram os bichos para longe. Hoje, as nossas árvores compridas acabaram, os brancos  cercaram-nos e a nossa terra é pequenininha. Mas os nossos yãmĩyxop são muito fortes e ensinaram-nos as histórias e os cantos dos antigos que andaram por aqui.

Prémios DocLisboa 2021: Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade; Sheffield Doc Fest - Reino Unido - Prêmio Principal; Forumdoc.bh.2021

Direção:  Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero
Fotografia:  Isael Maxakali, Carolina Canguçu, Jacinto Maxakali, Alexandre Maxakali, Sueli Maxakali, Roberto Romero 
Edição: Carolina Canguçu, Roberto Romero 
Produção: Paula Berbert

*Conversa com Carolina Santara, Liliana Coutinho

*vídeo realizadores SUELI 

 

18:30 – 21:00

Ketwajê
2023 |  77min | Brasil, Tocantins

Os Mentuwajê Guardiões da Cultura (grupo de jovens cineastas Krahô) convidam o Coletivo Beture (Mebêngôkre-Kayapó) a visitar a sua aldeia e acompanhar a festa de Kêtwajê – um importante ritual de iniciação que não acontecia há dez anos. Durante vários dias, crianças e adolescentes passam por várias provações para se transformarem em adultos guerreiros, perante o olhar atento e compartilhado entre os cineastas locais e os convidados Mebêngôkre-Kayapó.

Direção: Mentuwajê Guardiões da Cultura (Krahô) e Coletivo Beture (Mebêngôkre-Kayapó)
Fotografia, som: Bianca Toc Krahô, Gustavo Xôhtýc Krahô, Henrique Ihjãc Krahô, Ismael Cawàr Krahô, Kadjatnhoro Kayapo, Mário Catàm, Krahô, Pat-i Kayapo, Rodolfo Hacrô Krahô, Roseni Hacrý Krahô, Soleane Pãj Krahô
Montagem: Pat-i Kayapo, Rodolfo Hacrô Krahô
Produção: Mentuwajê Guardiões da Cultura, Coletivo Beture, Simone Giovine, Renée Nader Messora, João Salaviza

 

Cupē Te Mē Iquêtjê Jipej Catêjê / Homem Branco Massacrou O Meu Povo Krahô
2023 | 41min | Brasil, Tocantins

Zacarias Ropkà escapou ao brutal massacre sofrido pelos Krahô em 1940, quando os fazendeiros da região se uniram para atacar várias aldeias com seus grupos de peões armados. Em apenas um dia foram barbaramente assassinadas dezenas de pessoas, principalmente mulheres e crianças. Setenta anos depois, Ropká partilha com os mais jovens os horrores que testemunhou e o que fez para sobreviver.

Direção: Francisco Hỳjnõ Krahô e Felipe Kometani Melo
Fotografia: Francisco Hỳjnõ Krahô e Felipe Kometani Melo
Som: Francisco Hỳjnõ Krahô e Felipe Kometani Melo
Produção: Francisco Hỳjnõ Krahô e Felipe Kometani Melo

 

Biografias

Alberto Alvares

É um cineasta indígena da etnia Guarani Nhandewa, nascido na aldeia Porto Lindo, Mato Grosso do Sul. É também professor e tradutor de Guarani, realizador, argumentista e montador da Nhamandu Produções. Fez a licenciatura Intercultural para Educadores Indígenas, pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, e o mestrado no programa de Pós-Graduação em Cinema de Audiovisual na Universidade Federal Fluminense – PPGCINE. Foi professor de audiovisual na formação de cineastas indígenas em Biguaçu, Santa Catarina (2013), em Paranhos, Mato Grosso do Sul (2014) e no projeto da Série para Televisão Amanajé o Mensageiro do Futuro (2016), Inventar com a Diferença/UFF (2017/2018) e projeto Lentes Guarani, na aldeia Tekoa Ka’aguy Porã, no Estado de Espírito (2020). Em 2016 e 2017, participou em duas edições do encontro Mekukradjá promovido pelo Itaú Cultural (SP). Em 2018, ministrou uma oficina de fotografia no Instituto Moreira Salles (IMS). Em 2019, realizou o filme O Último Sonho (60’) que foi exibido no encontro Mekukradjá. Participou do Festival Doclisboa, e na 21ª Bienal de Arte Contemporânea SESC - VideoBrasil. Em 2020, foi diretor de fotografia do documentário Mulheres Mbya: Território, Jaraguá SP, e dirigiu o documentário Ayvu Ypy – Origem da Língua, na aldeia Rio Silveira SP.

 

Carolina Santara

Advogada e Indigenista. Doutora em Direito pela UnB. Pesquisadora Visitante na Universidade de Lisboa. Assessora do Opi - Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, Diretora Jurídica do Instituto AmazoniAlerta. Membro do Grupo de Trabalho “Direitos indígenas: acesso à justiça e singularidades processuais” do Conselho Nacional de Justiça e Membro da Comissão de Promoção de Participação Indígena no Processo Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral.

 

Rodrigo Lacerda

É antropólogo e realizador. Doutorado em Antropologia: Políticas e Práticas da Cultura e Museologia pela NOVA FCSH e ISCTE-IUL e mestre em Antropologia - especialização Culturas Visuais -, pela NOVA FCSH. É investigador no Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), onde é coordenador do grupo de investigação Práticas e Políticas da Cultura, e no IN2PAST - Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território. Coordena o projeto europeu EDGES: Entangling Indigenous Knowledges in Universities e é professor auxiliar convidado na NOVA FCSH, desde 2017. Em 2019, co-organizou a Mostra Ameríndia – Caminhos do Cinema Indígena no Brasil, que trouxe a Portugal o curador e pensador indígena Ailton Krenak e vários cineastas e artistas indígenas. As suas áreas de investigação são antropologia visual, cinema indígena, etnologia indígena e património.

 

Apoio

ForumDoc Belo Horizonte

Curadoria

forumdoc.bh - Júnia Torres e Daniel Ribeiro Duarte

Organização

Culturgest e Escola das Artes - CITAR / Universidade Católica Portuguesa

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