No âmbito do empréstimo da pintura Mapas e o espírito da oliveira (1984) de Graça Morais (Vieiro, Portugal, 1948), destaca-se uma das suas obras que pertence à Coleção da Caixa Geral de Depósitos. A exposição, com curadoria de Jorge da Costa, intitulada Mapas da Terra e do Tempo, é visitável no Museu do Côa (Vila Nova de Foz Côa), de 3 de junho de 2022 a 15 de janeiro de 2023.

As origens e as tradições populares de uma artista nascida numa aldeia do distrito de Bragança, em Trás-os-Montes, e que viveu parte da sua infância (entre 1957 e 1958), em Moçambique, tornam-se a fonte de inspiração e temática privilegiada que, ao longo de mais 5 décadas, anima e acompanha o seu percurso artístico. Através da representação das gentes, sobretudo mulheres, das paisagens áridas e rurais, dos animais selvagens e domésticos, da flora autóctone, a artista explora nas suas obras cores quentes, texturas intensas e traços marcantes, que figuram uma visão muito própria do mundo que a sensibiliza.

A série de obras intitulada Mapas e o espírito da oliveira, de 1984, reflete as suas preocupações estéticas, mas ampliadas pelas suas dimensões monumentais, “interpretando com um desenho de rara segurança e expressão lírica intensa, um imaginário de profunda efabulação oral e mítica, onde o belo pode dar lugar ao monstruoso, o corpo lugar à ideia, a paisagem ao itinerário.” (Fernando de Azevedo, 1987). “De facto, o que começou a aparecer sobre amplas superfícies foi um conjunto denso de formas, a progressiva constituição de uma teia de linhas e cores, saturando de sinais o plano da escrita, mas, por esse gesto, ao mesmo tempo des-cobrindo sucessivos níveis de leitura, a que a técnica da sobreposição empresta constantemente novas pistas de reconhecimento.” (António Mega Ferreira, 1985). A pintora, através da valorização do traço forte do desenho que incide sobre superfícies pictóricas intensas adensa a sua aproximação afetiva ao seu lugar de conforto. “Quando Graça passeia na sua aldeia natal, a paisagem transforma-se num mapa de memórias da sua infância.” (Rui Mário Gonçalves, 1997)

Graça Morais conclui, em 1971, o curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Entre 1976 e 1979 foi bolseira em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1984 representou Portugal na XVII Bienal de São Paulo, Brasil. Em 1997 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. O Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CACGM) foi inaugurado em 2008 em Bragança. Em 2019 a Ministra da Cultura Graça Fonseca entregou-lhe a Medalha de Mérito Cultural em nome do Governo Português.

 

Hugo Dinis

Graça Morais
Mapas e o espírito da oliveira - Série
1984
Acrílico, pastel e carvão sobre lona
140 x 207 cm
Inv. 274293
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