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Re-imaginar o arquivo pós-colonial

Re-imaginar o arquivo pós-colonial

ciclo de cinema e debate

Re-imaginar o arquivo pós-colonial

ciclo de cinema e debate

Concebido como uma retrospetiva dos vários subgéneros cinematográficos dos filmes coloniais, o programa apresenta filmes restaurados e a reutilização de imagens coloniais que potenciam a discussão sobre a origem, o presente e a ética inerente ao seu uso. Após cada projeção, segue-se um debate com convidados que integram o programa internacional Tudo passa, exceto o passado. A lista completa de filmes e os participantes no debate serão anunciados em breve.

Maria do Carmo Piçarra é investigadora, professora universitária e autora de vários livros e artigos sobre cinema e pós-colonialismo.

PROGRAMA

25 SET

Reflexões/refracções I: Re-significar através da "câmara analítica"


Moderador: Maria do Carmo Piçarra
Filme: Dal polo all'Equatore (1986, 96 min), Yervant Gianikian, Angela Ricci Lucchi
(filme italiano, sem legendas)


26 SET

Reflexões/refracções II: Olhar(es) e memória(s) através das práticas artísticas


Participantes: Inadelso Cossa, Maria do Carmo Piçarra, Tamer El Said
Filmes: Sad song of Touha (1972, 12 min), Atteyat Al Abnoudy
Un carnaval en Bissau (1980, 13 min), Sarah Maldoror
Préface à Des fusils pour Banta (2011, 26 min), Mathieu Kleyebe Abbonnenc
Uma memória em três atos (2016, 64 min), Inadelso Coisa
(filmes com legendas em inglês)


27 SET

Reflexões/refracções III: Projeções de uma luta que ainda não acabou


Apresentadores: Filipa César, Sana Na N'Hada
Moderador: Nuno Lisboa
Filme: Spell Reel (2017, 96 min), Filipa César
(legendas em inglês)

© Francisco Vidal.

25 SET 2019
QUA 21:30

26 SET 2019
QUI 21:30

27 SET 2019
SEX 18:30

Pequeno Auditório e Live streaming
Entrada gratuita*
Duração 2h

* Sujeita à lotação e mediante levantamento de bilhete meia hora antes do início de cada sessão

Em inglês e português

Apresentação Re-imaginar o arquivo pós-colonial

O ciclo de filmes Re-imaginar o arquivo pós-colonial. Reflexões/refrações foi concebido para potenciar a consciência crítica e o debate sobre ética e práticas da imagem-arquivo relativa à situação pós-colonial. Por imagem-arquivo entendo tanto filmes de montagem com imagens de arquivo trabalhadas de modo memorialista, como obras que (re)perspetivam e propõem ressignificações do arquivo criando imagens novas, como Gianikian/Ricci-Lucchi fazem com a sua “câmara analítica”. Integrando propostas dos convidados, o ciclo desdobra-se em sessões para investigadores, arquivistas, curadores, ativistas e artistas participantes do workshop e noutras para o público.

As sessões públicas com filmes de fecho de cada jornada abrir-se-ão ao debate alargado. Nesta vertente, parte-se da ressignificação pela “câmara analítica” para discutir possibilidades de reutilização de imagem (pós)colonial, desvelando-se abordagens contemporâneas e obras “apagadas” por políticas da memória, para pensar sobre uma genealogia das imagens-arquivo, tomando-as, também, como práxis, quando se afirmam “projeções de uma luta que ainda não acabou”.

Através deste dispositivo dispõem-se, imagens geradoras de diálogo, a partir do qual possamos pensar e ensaiar práticas questionadoras, potenciando novas perspetivas artísticas, arquivísticas, de programação e investigação, mas também de cidadania. O que se busca é uma consciência crítica das representações calcificadas ou ausentes dos arquivos, fomentando o debate sobre modos de re-imaginação e abordagens éticas, não só às imagens que se fazem imagem-arquivo, mas também aos arquivos de imagens na sua materialidade.

Maria do Carmo Piçarra

 

Sinopses Filmes Re-Imaginar o arquivo pós-colonial

Dal polo all’equatore // From the Pole to the Equator // Do Polo ao Equador

Angela Ricci Lucchi e Yervant Gianikian

1986 | 98 min | cor | 16mm

 

Neste filme experimental em 16mm, raramente visto e também o primeiro que lhes concedeu reconhecimento internacional, os cineastas vanguardistas italianos Angela Ricci Lucchi e Yervant Gianikian reeditam material filmado por Luca Comerio na década de 1910. Comerio foi um documentarista pioneiro italiano que fotografou povos “exóticos” desde o Polo Norte até ao Equador e recolheu material fílmico um pouco por todo o globo a fim de celebrar a vitalidade e as conquistas do colonialismo europeu - mas sobretudo do fascismo italiano. Ao alterarem  o material de Comerio, Ricci Lucchi e Gianikian trazem à superfície a ideologia patente em cada imagem, bem como a que está inscrita nas entrelinhas. Nas palavras de Gianikian, “a violência do colonialismo, tal como se manifesta em diferentes esferas e situações.”

 

Sad Song of Touha // A triste canção de Touha

Atteyat Al Abnoudy

1971 | 12 min | preto e branco | vídeo digital e 16mm

 

O segundo filme de El Abnoudy é um retrato fascinante dos artistas de rua do Cairo. De uma forma tipicamente discreta, o realizador conseguiu captar a essência e o caráter único desta subcultura de pessoas, unidas tanto pelo seu talento, como pelo seu estatuto social marginal. Mediante inquietantes imagens de pequenos contorcionistas ainda crianças e de experientes devoradores de fogo, esta comunidade firmemente unida e respetivos segredos são-nos revelados com a qualidade cinematográfica de um sonho. É uma homenagem à arte, ao espetáculo e ao esplendor das ruas do Cairo.
 

 

Un carnaval en Guinée-Bissau // Um carnaval na Guiné-Bissau

Sarah Maldoror

1980 | 13 min | cor |

 

Este documentário aborda o significado da identidade negra no respeitante aos festejos do Carnaval. Sarah Maldoror, a mãe do cinema africano, investigou a história e cultura do seu continente a partir de uma perspetiva afrocêntrica e documentou as festividades carnavalescas no filme Un Carnaval dans le Sahel (1979), produzido em Cabo Verde, e no breve documentário Un Carnaval en Guinée-Bissau (1980).

 

Préface à Des fusils pour Banta  //  Foreword to Guns for Banta // Prefácio a Armas para Banta

Mathieu Kleyebe Abonnenc

2011 | 26 min |

 

Prefácio a Armas para Banta centra-se no filme perdido Des Fusils pour Banta (Armas para Banta), de 1970, a primeira longa-metragem de Sarah Maldoror. Financiado pelo Exército Nacional Popular da Argélia, que tinha a esperança de vir a utilizá-lo como um instrumento de propaganda, o filme foi confiscado a Maldoror por causa das exigências que esta fez no sentido de controlar plenamente o processo de montagem. Até aos nossos dias, as bobinas não foram recuperadas nem devolvidas. Tudo o que resta de Armas para Banta é um conjunto de fotografias tiradas por Suzanne Lipinska no decurso das filmagens e memórias dispersas de Sarah Maldoror e outras testemunhas, recolhidas por Abonnenc ao longo de dois anos de conversas com a cineasta.

 

Uma Memória em Três Atos // A Memory in Three Acts

Inadelso Cossa

2016 | 64 min | 

 

A história colonial moçambicana deixou uma enorme ferida na memória coletiva do país. A estreia do realizador moçambicano Inadelso Cossa na longa-metragem é um ensaio poético sobre o trauma pós-colonial e a perda da memória coletiva, bem como uma investigação em torno do passado colonial português. Uma Memória em Três Atos dá voz àqueles que se viram silenciados durante o regime (presos e torturados ou obrigados à clandestinidade) e fá-lo no confronto com os locais desse silenciamento.

 

Spell Reel

A collective film, assemblage and essay by Filipa César, with Anita Fernandez, Flora Gomes, Sana na N’Hada et al.

Filme coletivo, colagem e ensaio de Filipa César, com Anita Fernandez, Flora Gomes, Sana Na N’Hada e outros

2017 | 96 min | cor | HD e 16mm transferido para video

 

Em 2011, um arquivo de material audiovisual reemergiu em Bissau. À beira da ruína completa, o material testemunha o nascimento do cinema guineense enquanto parte da visão descolonizadora de Amílcar Cabral, o líder do movimento de libertação assassinado em 1973. Em colaboração com os cineastas guineenses Sana Na N’Hada e Flora Gomes, e muitos outros, Filipa César imagina uma viagem em que esta matéria frágil do passado opera como um prisma visionário de estilhaço, através do qual olhamos. Digitalizado em Berlim, exibido e comentado ao vivo, o arquivo convoca debates, histórias e prognósticos. Da sua exibição em aldeias isoladas da Guiné-Bissau ou em capitais europeias, as bobinas silenciosas passam a ser um instrumento que permite às pessoas procurar antídotos a um mundo em crise. 

Biografias Participantes Tudo Passa, Exceto o Passado

COMISSARIADO CICLO DE FILMES

 

Maria do Carmo Piçarra: Azuis ultramarinos. Propaganda colonial e censura no cinema do Estado Novo

Maria do Carmo Piçarra é professora na Universidade Autónoma de Lisboa, investigadora do ICNOVA e bolseira (2018-2019) da Fundação Oriente (“Cinema Império”. Representações da “Ásia portuguesa” nos arquivos fílmicos). Doutorada em Ciências da Comunicação, desenvolveu entre 2013 e 2018 investigação de pós-doutoramento (“Cinema Império”. Portugal, França e Inglaterra, representações do império no cinema). É programadora de cinema, cofundadora da ANIKI-Revista Portuguesa da Imagem em Movimento e foi assessora da presidencia do ICAM (Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia) (1998-1999). Entre outras publicações, é autora de Salazar vai ao cinema (2 vols.) e Azuis ultramarinos. Censura e propaganda no cinema do estado novo. Coordenou, com Jorge António, a trilogia Angola, o nascimento de uma nação e, com Teresa Castro, (Re)imagining African Independence. Film, Visual Arts and the Fall of the Portuguese Empire(Re)imaginar a Independência Africana. Cinema, Artes Visuais e a Queda do Império Português).

 

MODERAÇÃO PAINEL DE ABERTURA

Stefanie Schulte Strathaus: Arsenal - Instituto do Filme e Vídeo-arte, Berlim

Stefanie Schulte Strathaus é codiretora do Arsenal – Instituto do Filme e Vídeo-arte e diretora-fundadora do Forum Expanded, uma seção da Berlinale (Festival Internacional de Cinema de Berlim). O seu trabalho de curadoria resultou já em inúmeros programas de cinema, retrospetivas e exposições. Desde 2010 o foco principal da sua atenção tem sido o arquivo fílmico do Arsenal e o desenvolvimento de novos conceitos na curadoria de arquivos fílmicos. Para tal, tem trabalhado em estreita colaboração com arquivos no Egito, Guiné-Bissau, Nigéria e Sudão. Atualmente assume a cocuradoria do projeto “Archive Außer Sich” (Arquivo Fora de Si), em conjunto com o Festival Internacional de Curtas-metragens de Oberhausen, a Film Feld Forschung GmbH, o Harun Farocki Institut, a SAVVY Contemporary, a pong film GmbH e o Programa do Mestrado em Cultura do Filme: Arquivo, Programação, Apresentação, da Universidade Goethe, de Frankfurt. O projeto "Archive Außer Sich" insere-se no âmbito de uma iniciativa chamada “O Novo Alfabeto”, organizada pela HKW (Casa das Culturas do Mundo), de Berlim.

 

PARTICIPANTES DO PAINEL

 

Tamer El Said: Arquivo fílmico & revolução no Egito

Tamer El Said é um cineasta e produtor que vive entre Berlim e o Cairo. Foi autor de diversos documentários e curtas-metragens que receberam vários prémios internacionais. Fundou a Zero Production em 2007, com vista a produzir filmes independentes. Além disso, é também um fundador do Cimatheque - Alternative Film Centre, no Egito, um espaço multiusos que proporciona instalações, formação e programação cultural para a comunidade envolvida no cinema independente. O Cimatheque também organizou um arquivo que alberga uma coleção cada vez maior de materiais diversos relacionados com o filme. A primeira longa-metragem de Tamer, In the Last Days of the City (Nos Últimos Dias da Cidade), foi estreada na Berlinale de 2016 e convidada a participar em mais de 160 festivais por todo o mundo, tendo recebido mais de uma dúzia de prémios internacionais.

 

Didi Cheeka: Cineasta e crítico off-Nollywood

Didi Cheeka é o cofundador e diretor artístico da Lagos Film Society, um centro dedicado ao cinema alternativo e que pretende contribuir para a criação de um cinema de autor na Nigéria. Cheeka é o iniciador do projeto arquivístico “Reclaiming History, Unveiling Memory” (“Recuperar a História, Revelar a Memória”), destinado à redescoberta e à digitalização do património audiovisual (pós-)colonial da Nigéria. Em colaboração com o Arsenal - Instituto do Filme e Vídeo-arte, Cheeka lançou o Decasia - Festival Internacional de Cinema de Imagens Resgatadas, uma bienal que se realiza entre Lagos e Berlim.

 

Filipa César: Spell Reel, arquivo e testemunho oral

Filipa César é uma artista e cineasta interessada nos aspetos ficcionais do documentário, as fronteiras porosas entre o cinema e a sua receção, bem como os aspetos políticos e poéticos inerentes à imagem em movimento e às tecnologias da imagem. Desde 2011, tem vindo a investigar as origens do cinema do movimento de libertação africana na Guiné-Bissau como um laboratório de resistência às epistemologias governantes. O seu filme Spell Reel é o resultado de uma pesquisa multifacetada e de um projeto de digitalização que iniciou com Sana Na N'Hada e Flora Gomes. O trabalho por ela realizadocompreende filmes de 16 mm, arquivos digitais, vídeos, seminários, exibições, publicações, bem como colaborações com artistas, teóricos e ativistas.

 

Fradique (Mário Bastos): Cineasta de Angola

Nascido em Luanda em 1986, Fradique (Mário Bastos) é uma das vozes mais entusiasmantes e talentosas do cinema angolano. Frequentou a NYFA (Academia de Cinema de Nova Iorque) e licenciou-se em Belas Artes (Realização) na Academy of Art University, de São Francisco. Em 2010, juntamente com Jorge Cohen e Tchiloia Lara, fundou em Angola a produtora Geração 80. Entre 2010 e 2015 trabalhou no seu primeiro documentário de longa-metragem, Independência, sobre a luta de libertação de Angola. O filme foi lançado em Angola em 2015 e ganhou o Prémio Nacional da Cultura para o Cinema. Foi reconhecido como um importante passo para a recuperação da memória histórica coletiva de Angola.

Os seus próximos filmes, atualmente em fase de pós-produção e em desenvolvimento, são Ar Condicionado (2020) e O Reino das Casuarinas (2022), uma adaptação do romance homónimo do autor angolano José Luís Mendonça. Ambos os filmes abordam a esperança e os sonhos da sociedade angolana, que se transformaram em memórias destroçadas, esquecidas em nome da sobrevivência individual e coletiva.

 

PARTICIPANTES QUE VÃO APRESENTAR UM FILME NUMA SESSÃO PÚBLICA

 

Inadelso Cossa: Realizador, produtor e diretor de fotografia de Moçambique

O primeiro documentário de longa-metragem de Cossa, Uma Memória em Três Atos, foi selecionado para a competição de filmes de estreia do IDFA (Festival Internacional de Documentários de Amesterdão) de 2016. Desde então tem passado por vários festivais espalhados pelo mundo, tendo vencido o prémio especial do júri na edição de 2018 do ZIFF (Festival Internacional de Cinema de Zanzibar). Em 2018, Cossa foi membro do júri na competição de documentários breves do IDFA, em 2019 do júri do prémio internacional no Sheffield Doc/Fest, bem como do Golden Tree International Documentary Festival. Neste momento está a trabalhar no seu projeto de um filme de ficção, intitulado Karingana – The Dead Tell no Tales (Os Mortos Não Contam Histórias), e no seu segundo documentário, chamado The Nights Still Smell of Gunpowder (As Noites Ainda Cheiram a Pólvora).

 

Sana Na N'Hada: Realizador e argumentista, conhecedor dos melhores e piores momentos da Guiné-Bissau

Sana Na N'Hada nasceu em 1950 em Enxale, Guiné-Bissau. É realizador e argumentista, conhecido por filmes como Xime (1994), Kadjike (2013) e Os Escultores de Espíritos (2015). Ao longo de uma carreira cinematográfica que abrange mais de quatro décadas, Sana Na N'Hada foi testemunha tanto dos melhores como dos piores momentos da Guiné-Bissau. Integrou o exército revolucionário de Amílcar Cabral nos tempos da guerra pela independência. Nos anos conturbados que se seguiram à obtenção da autonomia começou a fazer filmes evocativos que captavam e desafiavam o Zeitgeist dominante. É também cofundador do Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau, criador do cinema ambulante na Guiné-Bissau, para além de jornalista e ativista.

 

 

OUTROS PARTICIPANTES

 

Liliana Coutinho: Curadoria de palestras, Culturgest

Liliana Coutinho tem doutoramento em Estética e Ciências da Arte pela Université Paris 1-Sorbonne, é mestre em Estudos Curatoriais, e licenciou-se em Escultura. É professora convidada do curso de pós-graduação em Curadoria de Arte, na FCSH - Universidade Nova de Lisboa, bem como investigadora do Instituto de História Contemporânea – FCSH/UNL e do Institut A. C. T. E – Université Paris 1. É também curadora e coordenadora de conferências e debates na Culturgest, uma fundação dedicada à criação contemporânea que apresenta uma programação nacional e internacional no campo das artes cénicas, da música, das artes visuais, do cinema e do pensamento contemporâneo.

 

Cristina Roldão: Desigualdades sociais e étnico-raciais na sociedade portuguesa

Cristina Roldão é socióloga, professora convidada da Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE/IPS), investigadora do Centro de Investigação de Estudos de Sociologia (CIES-IUL) e membro da coordenação da secção temática Classes, Desigualdades e Políticas Públicas da APS (Associação Portuguesa de Sociologia). As desigualdades sociais perante a escola são o seu principal objeto de investigação, com particular ênfase nos processos de exclusão e racismo institucional que afetam os afrodescendentes na sociedade portuguesa. Para além do espaço acadêmico em sentido estrito, participou na avaliação externa de vários programas, em estudos prospetivos, foi membro da equipa inicial do Observatório de Trajetos dos Estudantes do Ensino Secundário, e tem participado no amplo debate público sobre o racismo e as desigualdades étnico-raciais na sociedade portuguesa.

 

Tiago Baptista: Diretor do Centro de Conservação da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema

Tiago Baptista dirige o Centro de Conservação da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e é membro do Comité Executivo da FIAF (Federação Internacional dos Arquivos de Filmes). Realizou o seu doutoramento em Film and Screen Media pela Universidade de Londres (Birkbeck College), é investigador do Instituto de História Contemporânea da FCSH - Universidade Nova de Lisboa, e professor auxiliar da FCH (Faculdade de Ciências Humanas) - Universidade Católica Portuguesa.

Ciclo Memórias Coloniais

MEMÓRIAS COLONIAIS

O debate sobre as memórias do período colonial tem ocupado o espaço público e a produção artística de forma intensa. O ciclo Memórias Coloniais abre espaço a este tema, acolhendo pessoas e projetos implicados em continuidade na sua pesquisa.

Os grupos de investigação AFRO-PORT Afrodescendência em Portugal (ISEG) e Discursos Memorialistas e a Construção da História (Faculdade de Letras Universidade de Lisboa) apresentam a conferência Políticas da memória seletiva da historiadora marroquina Fatima Harrak. Uma reflexão sobre os efeitos da “memória seletiva” no presente político atual, onde a autora defende uma "história cruzada" dos colonizadores e dos povos colonizados.

Tudo passa, exceto o passado é um programa sobre a herança colonial no espaço público, em museus e nos arquivos de vários países europeus, liderado pelo Goethe Institut. Chega a Portugal sob o formato de uma mesa redonda e um ciclo de filmes e debates sobre os arquivos cinematográficos pós-coloniais.

O projeto MEMOIRS — Filhos do Império e Pós-memórias Europeias junta investigadores que se interessam de modo comparado às memórias coloniais dos contextos francês, belga e português, e apresenta um debate, uma sessão de cinema e uma performance à volta da mesma questão: como se manifestam as memórias do fim do colonialismo em termos sociais, culturais e artísticos na Europa. 

O colonialismo e as suas consequências tem sido o tema de eleição da companhia de teatro Hotel Europa. No contexto deste ciclo, André Amálio abre o seu arquivo pessoal de entrevistas, livros, vídeos, fotografias de família e documentos da guerra e revisita as suas criações teatrais na performance de 13 horas O fim do colonialismo português. ACulturgest apresenta também a estreia absoluta de "Os filhos do colonialismo português", uma nova produção do Hotel Europa. Convocámos ainda o artista plástico Francisco Vidal, com quem trabalhámos a imagem dos materiais de divulgação dedicados a este ciclo.

Afinal, o que foi transmitido pelas pessoas que viveram o colonialismo às gerações vindouras? Memórias Coloniais é um convite a esta reflexão. 

 

CALENDÁRIO

Fatima Harrak: políticas da memória seletiva
SET 19 QUI 18:30

Tudo passa, exceto o passado
SET 24 TER 18:30

Hotel Europa: O fim do colonialismo português (instalação)
SET 25 QUA — 27 SEX 11:00 - 18:30
SET 28 SÁB — 29 DOM 15:00 - 18:30

Reimaginar o arquivo pós-colonial 
SET 25 QUA 21:30
SET 26 QUI 21:30
SET 27 SEX 18:30 

Memórias africanas de Portugal
SET 26 QUI 18:30

Hotel Europa: Os filhos do colonialismo
SET 26 QUI 21:00
SET 27 SEX 21:00
SET 28 SÁB 19:00

Artes na Europa no tempo da pós-memória
OUT 3 QUI 18:30

Fatima Sissani: A língua de Zahra
OUT 3 QUI 21:30

Hotel Europa: O fim do colonialismo português (performance)
OUT 5 SÁB 11:00 – 0:00

 

Organização

Goethe

Projeto

Tudo Passa, Excepto o Passado

Cofinanciado pelo programa Europa Criativa da União Europeia no âmbito do projeto Create to Connect, Create to Impact

Create do Connect

Curadoria 

Maria do Carmo Piçarra

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