Está a dançar agora? (sobre movimentos de pedestres)

Quatro Leituras a partir de Paxton
© Frans Pans.

Steve Paxton.

“Como a famosa árvore da qual é incerto se será ouvida se cair numa floresta sem pessoas, há uma maneira de ver as coisas que as tornam performance.”

Nos anos 1960, Steve Paxton criou novas danças experimentais feitas apenas com movimentos de pedestres. As suas danças perguntavam: onde começa a dança? Os simples gestos de caminhar, ficar em pé, sentar-se, podem ser considerados dança? E quais são os procedimentos para oferecer ao público a possibilidade de perceber que “há uma maneira de ver as coisas que as tornam performance”?

No contexto do ciclo dedicado a Steve Paxton e durante a exposição Esboço de Técnicas Interiores, realizam-se quatro conversas públicas em torno da obra do coreografo norte-americano. Cada conversa desenrola-se sobre uma pergunta que desafia o público a mergulhar no trabalho desenvolvido por Paxton nos últimos 60 anos.

Durante as conversas, os participantes poderão ainda visitar a exposição Esboços de Técnicas Interiores.

 

Programa completo Quatro Leituras a partir de Paxton

 

21 MAR 2019
QUI 18:30

Galeria

Entrada gratuita*
Duração 90 min

* Entrada gratuita, sujeita à lotação e mediante levantamento de bilhete no dia a partir das 18:00

Em português e inglês

CURADORIA E MODERAÇÃO

João Fiadeiro, Romain Bigé e Liliana Coutinho

COM

Paula Caspão

Ciclo Steve Paxton

Coreógrafo, bailarino e improvisador norte-americano, Steve Paxton (1939) tem moldado continuamente a face da dança nas últimas seis décadas. Tendo iniciado a sua carreira nos anos 1950, Paxton dançou com José Limon e Merce Cunningham, foi um dos fundadores da Judson Dance Theatre, fonte de criações coletivas que lançaram as raízes da dança pós-moderna e membro fundador do coletivo de improvisação nova-iorquino Grand Union. Inventou duas técnicas – Contact Improvisation (Contacto Improvisação) e Material for the Spine (Material para a Coluna) –, e cruzou-se com artistas plásticos (como Robert Rauschenberg), tornando-se também marcante para o universo das artes visuais. Tudo isto enquanto escrevia extensamente sobre movimento (mais de cem artigos desde 1970) e atuava em espetáculos de dança improvisada por todo o mundo.

O seu trabalho tem vindo a influenciar coreógrafos e bailarinos, muitas vezes ao ponto de se perder a origem de algumas das suas pesquisas: a análise e integração de movimentos quotidianos (como caminhar), a importância do tato, do peso e do balanço e a abertura ao corpo não-técnico.

Em Portugal, o pensamento de Steve Paxton e do Judson Dance Theater tiveram uma influência decisiva em muitos dos integrantes da chamada Nova Dança Portuguesa, que partilhavam, em vários aspetos, as suas inquietações sobre a relação da arte e do quotidiano.

Partindo desta perspetiva, a Culturgest apresenta o ciclo Steve Paxton que inclui uma exposição com curadoria Romain Bigé e de João Fiadeiro e a apresentação de algumas performances históricas em palco. O programa Paxton não se esgota aqui. A transversalidade do seu trabalho traduz-se ainda numa série de cinco conferências (a primeira das quais com o próprio Paxton), dois workshops sobre Contacto Improvisação e Material para a Coluna, o envolvimento de escolas e a ativação do espaço expositivo numa arena performativa.

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