A dança solo existe? (sobre a relação)

Quatro Leituras a partir de Paxton
© Patrick Marchal.

Steve Paxton & Lisa Nelson - PA RT 1987.

“A dança solo não existe: o bailarino dança com o chão: acrescente outro bailarino e terá um quarteto: cada bailarino um com o outro e cada um com o chão.”


Martha Graham disse que nunca se dança sozinho: há sempre pelo menos um parceiro ausente. Também as danças de Paxton são estudos de parceiros: em solo, descobrem-se companheiros ocultos como gravidade, música, memórias; em duetos (em especial com a parceira de sempre Lisa Nelson), investigam-se estratégias para renovar o encontro. Como cultivar o desconhecimento do seu parceiro para lhe dar espaço? Que outros (humanos e não-humanos) podem ser convidados a dançar e como cuidamos deles?


No contexto do ciclo dedicado a Steve Paxton e durante a exposição Esboço de Técnicas Interiores, realizam-se quatro conversas públicas em torno da obra do coreografo norte-americano. Cada conversa desenrola-se sobre uma pergunta que desafia o público a mergulhar no trabalho desenvolvido por Paxton nos últimos 60 anos.

Durante as conversas, os participantes poderão ainda visitar a exposição Esboços de Técnicas Interiores.
 

Programa completo Quatro Leituras a partir de Paxton

30 MAI 2019
QUI 18:30

Galeria

Entrada gratuita*
Duração 90 min

* Entrada gratuita, sujeita à lotação e mediante levantamento de bilhete no dia a partir das 18:00

Em português e inglês

CURADORIA E MODERAÇÃO

João Fiadeiro, Romain Bigé e Liliana Coutinho

COM

Vera Mantero

Ciclo Steve Paxton

Coreógrafo, bailarino e improvisador norte-americano, Steve Paxton (1939) tem moldado continuamente a face da dança nas últimas seis décadas. Tendo iniciado a sua carreira nos anos 1950, Paxton dançou com José Limon e Merce Cunningham, foi um dos fundadores da Judson Dance Theatre, fonte de criações coletivas que lançaram as raízes da dança pós-moderna e membro fundador do coletivo de improvisação nova-iorquino Grand Union. Inventou duas técnicas – Contact Improvisation (Contacto Improvisação) e Material for the Spine (Material para a Coluna) –, e cruzou-se com artistas plásticos (como Robert Rauschenberg), tornando-se também marcante para o universo das artes visuais. Tudo isto enquanto escrevia extensamente sobre movimento (mais de cem artigos desde 1970) e atuava em espetáculos de dança improvisada por todo o mundo.

O seu trabalho tem vindo a influenciar coreógrafos e bailarinos, muitas vezes ao ponto de se perder a origem de algumas das suas pesquisas: a análise e integração de movimentos quotidianos (como caminhar), a importância do tato, do peso e do balanço e a abertura ao corpo não-técnico.

Em Portugal, o pensamento de Steve Paxton e do Judson Dance Theater tiveram uma influência decisiva em muitos dos integrantes da chamada Nova Dança Portuguesa, que partilhavam, em vários aspetos, as suas inquietações sobre a relação da arte e do quotidiano.

Partindo desta perspetiva, a Culturgest apresenta o ciclo Steve Paxton que inclui uma exposição com curadoria Romain Bigé e de João Fiadeiro e a apresentação de algumas performances históricas em palco. O programa Paxton não se esgota aqui. A transversalidade do seu trabalho traduz-se ainda numa série de cinco conferências (a primeira das quais com o próprio Paxton), dois workshops sobre Contacto Improvisação e Material para a Coluna, o envolvimento de escolas e a ativação do espaço expositivo numa arena performativa.

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