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O trabalho dos artistas e as lógicas de (des)profissionalização

Pierre-Michel Menger e Izabela Wagner
© Vera Marmelo.

A discussão sobre a profissionalização da carreira dos profissionais das artes performativas está na ordem do dia, numa altura em que muitas das propostas artísticas ficaram em suspenso, mas a vida não.


Na primeira conferência do programa A Arte Custa, analisamos o tema a partir de uma perspetiva internacional e em paralelo com o contexto português. Falamos sobre as especificidades do trabalho criativo, incluindo o estatuto de intermitência, a precariedade dos profissionais das artes e da cultura, a construção de carreiras artísticas e a forma como a crise económica adensa a tensão existente entre arte e profissão e, logo, as exigências da profissionalização como uma causa e consequência das situações vividas no mercado de trabalho artístico. 

Pierre-Michel Menger é sociólogo e professor no Collège de France (Paris), dirige a cadeira de Sociology of Creative Work; Izabela Wagner é professora de Sociologia no Collegium Civitas, investigadora associada no DynamE — Dynamiques Européennes e fellow no Institut Convergence Migration.

14 OUT 2020
QUA 18:30

Live streaming

Assistam à sessão original em inglês aqui ou na página do Facebook da Culturgest
Duração 90 min

Por motivos de força maior, a conferência vai ser realizada apenas online.

Parceria

ISCTECIES

Com o apoio

Antena 3

Moderação

Vera Borges e Luísa Veloso (CIES – Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa)

A Arte Custa biografias

Izabela Wagner é socióloga e tem trabalhado no domínio das carreiras artísticas e científicas. Professora associada no Collegium Civitas em Warsaw (Polónia), investigadora associada na DynamE (Dynamiques Europeennes) na Universidade de Strasbourg /CNRS, e no Institut Convergence Migrations, em Paris. Doutorada na EHESS, sob a direção de Jean-Michel Chapoulie. Autora de Producing Excellence: The Making of Virtuosos (2015).

 

Joana Marques é socióloga, doutorada em Sociologia pela Universidade de São Paulo, com a tese “Trabalhadores-artistas: cenas de trabalho, organização e ação coletiva no Brasil e Portugal”. A sua trajetória tem sido desenvolvida na pesquisa de diferentes formas de transformação social, através de diversos enfoques como trabalho, cultura, educação, economia solidária e mobilidade, com trabalho de campo desenvolvido entre três continentes. É atualmente Marie-Curie Fellow na associação A3S e investigadora-colaboradora no CIES-Iscte.

 

João dos Santos Martins (Santarém, 1989) é um artista cujo trabalho abrange várias formas como a coreografia, a curadoria e a edição. Desde 2008, tem articulado a sua prática entre a produção de peças e a colaboração como bailarino com outros autores como Ana Rita Teodoro, Eszter Salamon, Moriah Evans e Xavier Le Roy. As suas peças são geralmente desenvolvidas em conjunto com outros artistas como em Antropocenas (2017), com Rita Natálio, e Onde Está o Casaco? (2018), com Cyriaque Villemaux e Ana Jotta. Desde 2017, organizou o ciclo Nova—Velha Dança em Santarém, com espectáculos, workshops, conversas e exposições; criou, com Ana Bigotte Vieira, um dispositivo para a historicização colectiva da dança em Portugal — Para Uma Timeline a Haver — fundou um jornal — Coreia — dedicado a produzir discursos sobre as artes e os artistas em especial articulação com a dança, e organizou o plano de estudos para o programa PACAP 4 (2020) do Forum Dança.

 

Luísa Veloso é socióloga. Professora de Sociologia no Iscte - Instituto Universitário de Lisboa. Investigadora do CIES-Iscte. Tem desenvolvido diversas atividades de investigação nos domínios do trabalho, das profissões e da educação. Colabora com diversas instituições no domínio da cultura e das artes, como a Fundação de Serralves ou a Cinemateca Portuguesa. Integra o Observatório Nacional na European Network of Observatories in the Field of Arts and Cultural Education (ENO).

 

Maria João Brilhante é professora doutorada em Literatura Francesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde lecciona, desde 1979, primeiro Literatura e cultura francesa e desde os anos 90 História do Teatro em Portugal, Mimese e Representação e Iconografia Teatral na licenciatura em Artes do Espectáculo e no mestrado e doutoramento em Estudos de Teatro. Orientou cerca de vinte dissertações de mestrado e teses de doutoramento. Dirige os cursos de Mestrado e de Doutoramento em Estudos de Teatro da FLUL. É investigadora do Centro de Estudos de Teatro, que dirigiu entre 1996-2000, 2004-2008 e de novo de 2018 a 2019. Foi responsável por projectos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, tais como OPSIS: base de dados iconográfica de teatro em Portugal. Co-coordenou o projecto Texto e imagem: perspectivas críticas para investigação em Artes Cénicas desenvolvido com a UNIRIO (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a USP (Universidade de São Paulo). Foi presidente do Conselho de Administração do TNDMaria II entre 2008 e 2011. É membro do júri do Prix Europe pour le Théâtre. Pertence à Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, ao Conselho de Redacção da revista Sinais de Cena e à Comissão Executiva da EASTAP- European Association for the Study of Theatre and Performance. Faz parte da Direcção da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio. Publicou ensaios e livros sobre literatura, tradução de teatro, iconografia do teatro e história do teatro e do espectáculo.

 

Pierre-Michel Menger é sociólogo, formado em Filosofia e doutorado em Sociologia. É professor no Collège de France, na cadeira de Sociology of Creative Work, onde proferiu as conferências: What is Talent? Aspects of the Social Physics of Difference and Inequality; The Production of Knowledge. Careers and Competitions in Teaching and Research; Labor, its Value and Evaluation. Foi diretor de pesquisa da EHESS e dirigiu o Centro de Sociologia do Trabalho e das Artes (EHESS/CNRS). É autor de inúmeros livros e artigos dos quais se destacam, The Economics of Creativity. Art and Achievement Under Uncertainty (Cambridge, Harvard University Press), Portrait de l'artiste en travailleur. Métamorphoses du capitalisme (Seuil), publicado em português (Retrato do artista enquanto trabalhador, Roma Editora). Les Intermittents du spectacle. Sociologie d'une exception (EHESS), Profession artiste. Extension du domaine de la création (Textuel), Paradoxe du musicien (L'Harmattan).

 

Rui Pina Coelho é Professor Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutorado em Estudos Artísticos – especialidade em Estudos de Teatro pela FLUL, é Director do Centro de Estudos de Teatro da FLUL e investigador na linha de trabalho “Discursos Críticos nas Artes Performativas”. Dirige a Sinais de Cena – Revista de estudos de teatro e artes performativas. Como dramaturgo, colabora regularmente com o TEP – Teatro Experimental do Porto.

 

Vera Borges é socióloga. Investigadora Integrada do CIES-Iscte. Doutorada em Sociologia, especialidade Cultura, pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e FCSH-UNL, com a tese sobre o mundo do teatro em Portugal, sob a direção de P.-M. Menger. Desenvolve investigação na área do trabalho, profissões, organizações e mercados artísticos, com enfoque nas artes performativas. Docente convidada em Políticas Públicas para a Cultura e Gestão de Projetos de Artes Cénicas, no Mestrado em Estudos de Teatro, da FL-UL. Co-autora de Mapping culture in Portugal (International Journal of Cultural Policy, 2016) e Emerging patterns of artistic organizations in Portugal (Sociologie del Lavoro, 2020).

 

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