DESCENTRAR O IMPÉRIO, REPARAR O FUTURO

DESCENTRAR O IMPÉRIO, REPARAR O FUTURO

DESCENTRAR O IMPÉRIO, REPARAR O FUTURO

Curadoria: Inês Beleza Barreiros, Patrícia Martins Marcos, Pedro Schacht Pereira e Rui Gomes Coelho

16:00 – 18:00: Descentrar o Império

Em contexto português, as visões mais críticas do colonialismo centraram o seu estudo no último ciclo imperial, no período contemporâneo, também chamado de “império Africano”. Até tempos recentes, esta dinâmica tem sido pautada pelo pouco envolvimento com a história do imperialismo moderno, enclausurando o seu estudo em visões nacionalistas, ancoradas no protagonismo narrativo do espaço e dos agentes da metrópole portuguesa. Ao tomar Portugal como epicentro da história, o contributo de processos e agentes não-metropolitanos tem sido minimizado sistematicamente. No ano em que se assinalam os 200 anos da independência do Brasil, esta mesa-redonda procura densificar a perspetiva histórica a partir de um olhar de longa duração sobre a formação do maior país da América Latina, considerando processos de dimensão transoceânica e trans-hemisférica. Deste modo, é lançado um desafio a paradigmas historiográficos de feição lusotropicalista e que, teimosamente, continuam a sobreviver à implantação da democracia tanto no Brasil, como em Portugal.

Luiz Felipe de Alencastro, Escola de Economia de São Paulo/FGV e Sorbonne Université

Patrícia Martins Marcos, University of California, San Diego

Victor de Barros IHC, Universidade Nova de Lisboa

Moderação: Pedro Schacht Pereira, The Ohio State University

18:30 – 20:30: Reparar o Futuro

A história do império é inevitavelmente a história das reparações. O labor das reparações começou no momento de expropriação e nunca realmente terminou. Não se trata apenas de acautelar os direitos dos descendentes de espoliados e escravizados, trata-se também de interromper a renovação dessa violência inicial e assegurar o direito a um mundo plural e diverso. Nesta mesa pensa-se a questão das reparações históricas, a partir do contexto português, em articulação com os debates que ocorrem noutros contextos, nomeadamente os da memorialização da Escravatura, da restituição de objetos, do desmantelamento de estátuas racistas ou da produção de contra arquivos.

Ana Lucia Araujo, Howard University

Cristina Roldão, Escola Superior de Educação de Setúbal

Rui Gomes Coelho, Durham University

Moderação: Inês Beleza Barreiros, ICNOVA, FCSH-UNL

04 NOV 2022
SEX 16:00–20:30

Sala 2
Entrada gratuita*

*com levantamento de bilhete 30 min. antes do início da sessão (sujeito à lotação da sala).

Biografias

Ana Lúcia Araújo é professora titular do Departamento de História da Howard University em Washington, nos Estados Unidos. O seu trabalho tem como tema a história e a memória da escravatura, sendo autora e organizadora de treze livros. As suas mais recentes obras incluem Slavery in the Age of Memory: Engaging the Past (2020), Museums and Atlantic Slavery (2021) e Reparations for Slavery and the Slave Trade: A Transnational and Comparative History (2017). Ana Lucia é também membro do Comité Científico Internacional do Projeto Rota do Escravo da UNESCO. O seu trabalho foi financiado pelo Institute for Advanced Study da Universidade de Princeton (através da Gladys Krieble Delmas Foundation), pela Franklin Research Grant da American Philosophical Society e pela Getty Residential Scholar Grant do Getty Research Institute, em Los Angeles. Atualmente trabalha em dois livros: Humans in Shackles: An Atlantic History of Slavery (Chicago University Press) e The Gift: How Objects of Prestige Shaped the Atlantic Slave Trade and Colonialism (Cambridge University Press).

 

Cristina Roldão é doutorada em sociologia, investigadora do ISCTE e docente da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Tem participado ativamente no debate académico e público sobre o racismo em Portugal. Foi membro dos Grupos de Trabalho que discutiram o primeiro plano nacional de combate ao racismo e a possibilidade da recolha de dados étnico-raciais nos Censos 2021. Em 2019, co coordenou a 7ª Conferência Internacional Afroeuropeans, In/Visibilidades Contestadas. Faz parte da coordenação do Roteiro Antirracista da ESE/IPS. A história da presença e resistência negra na sociedade portuguesa tem sido um importante campo da sua investigação, com trabalhos como “Feminismo Negro: Falta contar-nos” (Público, 2019), A Presença Negra na Cidade de Setúbal, séculos XVI a XVIII (Setúbal, 2019) e a cocoordenação da reedição comemorativa do 110º aniversário do jornal O Negro (2021). Este último trabalho é produto de uma pesquisa colaborativa, em andamento, sobre uma geração historicamente silenciada de ativistas, organizações e publicações que contribuíram para a resistência ao colonialismo português nas primeiras décadas do século XX.

 

Inês Beleza Barreiros é historiadora da arte e crítica cultural interessada na migração das imagens no tempo e no espaço e no modo como a colonialidade do ver sustém a colonialidade do saber. Atualmente, tem-se dedicado à questão das reparações, nomeadamente em artigos recentes, como “Reparar, reparando: a memória colonial na Casa da História Europeia”, e em projetos artísticos, como Restituition Art Lab, que estreou no Volksbühne, em Berlim.

Inês é doutorada em Media, Culture and Communication Studies, pela New York University, mestre em História da Arte Contemporânea pela FCSH-UNL e licenciada em História, variante História da Arte pela FLUL. Atualmente, é investigadora integrada no ICNOVA da FCSH-UNL, editora da revista La Rampa – Art, Life and Beyond e tem também trabalhado em filmes documentais que articulam o cinema com outras artes.  Entre diversos artigos e capítulos de livros, é autora de “Sob o Olhar de Deuses sem Vergonha”: Cultura Visual e Paisagens Contemporâneas e Colonial Specters: A Visual Archaeology.

 

Luiz Felipe de Alencastro é professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e professor emérito de História da Sorbonne Université. Entre outras obras, é autor de O Trato dos Viventes – Formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII (Companhia das Letras, 2000 / SUNY Press, 2018); “Mulattos in Brazil and Angola: A Comparative Approach, Seventeenth to Twenty- First Centuries”, in Francisco Bethencourt and Adrian Pearce, Racism and Ethnic Relations in the Portuguese-Speaking World, (Oxford University Press, 2012); “The Ethiopic Ocean: History and historiography - 1600- 1975”, The South Atlantic, Past and Present, Portuguese Literary & Cultural Studies 27  (2015); e “A Semana de Arte Moderna: platinofilia e nacionalização do mercado de trabalho em São Paulo”, in Aracy A. Amaral e Regina T. de Barros, Moderno quando? A Semana de 22 como motivação (Museu de Arte Moderna, São Paulo, 2021).

 

Patrícia Martins Marcos é doutoranda no Departamento de História e no Programa de Estudos da Ciência na Universidade da Califórnia em San Diego e, no Outono, será a próxima UC Chancellor’s Postdoctoral fellow no Departamento de História da UCLA e no Centro Bunche para Estudos Afro-Americanos da mesma universidade. O seu trabalho interroga a patologização de tipologias de seres humanos classificados como “inferiores” dentro do processo de colonização português moderno, e por conta da sua raça, género, deficiência e sexualidade. É editora associada da History of Anthropology Review e o seu trabalho foi apoiado, entre outros, pela Huntington Library, a American Philosophical Society, a John Carter Brown Library e o Centro para Black, Brown, and Queer Studies. É atualmente bolseira da Folger Shakespeare Library. Além de fazer história pública, tem artigos publicados nas revistas académicas Práticas da História e Radical History Review.

 

Pedro Schacht Pereira é professor associado de Estudos Luso-Afro-Brasileiros e Ibéricos na Ohio State University. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Coimbra e doutorou-se em Estudos Luso-Brasileiros na Brown University, nos EUA. Faz parte da equipa que criou em 2012 o programa de doutoramento em Estudos do Mundo de Língua Portuguesa na Ohio State University, e coordena o programa de licenciatura em português da mesma universidade. Enquanto investigador o seu trabalho incide sobre as literaturas portuguesa e brasileira dos século XIX, XX e XXI, com destaque para as representações da negritude e a produção cultural das diásporas africanas em Portugal.

Rui Gomes Coelho é professor assistente de Arqueologia Histórica no Departamento de Arqueologia da Durham University, Reino Unido e investigador do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa. Estudou história e arqueologia na Universidade NOVA de Lisboa, onde concluiu a licenciatura e o mestrado. Doutorou-se em antropologia na Binghamton University, EUA. Antes de se juntar a Durham University trabalhou no Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil, no programa de Cultural Heritage and Preservation Studies, Rutgers University, e no Joukowsky Institute for Archaeology and the Ancient World, Brown University, EUA. A sua investigação centra-se atualmente na arqueologia da escravidão e dos trabalhos forçados em Cacheu, Guiné-Bissau, e na resistência antifascista na Croácia durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Víctor Barros é historiador, doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra com uma tese sobre Comemorações e Memória do Império nas Colónias Durante o Estado Novo, tese essa distinguida em outubro de 2020 com uma menção honrosa no Prémio Internacional de Investigação Histórica Agostinho Neto. É também autor do livro Campos de Concentração em Cabo Verde: As Ilhas como Espaços de Deportação e Prisão no Estado Novo, distinguido com uma Menção Honrosa no Prémio de História Contemporânea Vitor de Sá, em 2008. Os seus interesses de investigação centram-se nas questões da história colonial e dos impérios coloniais, dos anticolonialismos, das políticas de memória, dos usos públicos da memória colonial, da escrita da história, entre outros. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e, enquanto tal, frequentou seminários de investigação na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris, e realizou trabalhos de pesquisas de arquivo em Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal. É investigador integrado do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e trabalhou como membro do projeto de investigação “Amílcar Cabral – Da História Política às Políticas de Memória”, tendo nesse âmbito realizado missões de pesquisas de arquivo e seminários na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Portugal e França. Tem artigos publicados em revistas como The International History Review; Revista Portuguesa de História; Revista Angolana de Sociologia; Revista de História da Ideias; Práticas da História: Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, entre outros.

Apoio

ICNOVA-Instituto de Comunicação da NovaFCTNOVA / FCSHIN2PASTIHC

Instituto de História Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa / IN2PAST – Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território

IHC – NOVA FCSH / IN2PAST – O IHC é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito dos projectos UIDB/04209/2020 e UIDP/04209/2020.

Coprodução: Instituto de Comunicação da NOVA, ICNOVA- FCSH-UNL

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